Jovens construtores da paz



Jovens construtores da paz
18 Junho
2017
Escrito por: Dom Adelar Baruffi
Publicado em: Regional
Felipe Padilha

As atuais e constantes ameaças à paz podem suscitar em nós diferentes posturas. Desejo fazer ecoar o que, certamente, está no coração e no projeto de vida de cada jovem seguidor de Jesus Cristo: ser um construtor de paz. Não queremos nos resignar diante de uma sociedade hostil, de uma ordem mundial que espezinha e produz milhões de seres humanos que sobram, visto que o sistema econômico-financeiro tudo comanda. Também não nos resignamos a um jeito de viver que nos transforma em “meros consumidores”. Preocupamo-nos com a crescente violência entre os jovens e contra os jovens, fruto de uma sociedade injusta, do narcotráfico e do vazio existencial. Sim, temos uma proposta de vida, um caminho que queremos seguir.

Cristo “é a nossa paz” (Ef 2,4). Ele é o evangelho da paz, que veio para reconciliar e unir a todos. O primeiro fruto da sua ressurreição, que desejou aos apóstolos, na sua aparição foi: “A paz esteja convosco” (Jo 20, 26). E aos seus discípulos, os constituiu promotores da paz: “Felizes os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). A paz é possível, pois Jesus Cristo venceu o mundo e toda a maldade.

Ancorados nesta certeza, contemplemos a Ele e deixemos que Ele faça o nosso coração semelhante ao seu, como oramos ao Sagrado Coração de Jesus. De fato, “o primeiro âmbito onde somos chamados a conquistar esta pacificação nas diferenças é a própria interioridade, a própria vida sempre ameaçada pela dispersão dialética. Com corações despedaçados em milhares de fragmentos, será difícil construir uma verdadeira paz social” (Francisco, Evangelii Gaudium, n. 229). Para isto, o caminho é a coragem de dedicarmos um precioso tempo diário para estarmos diante daquele que é a paz, no sacrário, com a Palavra, na presença do Crucificado-Ressuscitado. Nele, tantos elementos desordenados de nossa interioridade são recolhidos numa unidade e tomam sentido, como os planetas que giram ao redor do sol. O primeiro caminho para a paz é, portanto, a oração.

Também, somos provocados a sermos audazes em propor processos novos, que sejam baseados em princípios evangélicos: o diálogo sempre; a tolerância e o respeito diante das diferenças; fazer a distinção entre as pessoas e suas posições e ideias. As posições extremas, os fundamentalismos de direita e de esquerda, nunca fizeram bem à história da humanidade. Assim, como nos ensina o Papa Francisco, “torna-se possível desenvolver uma comunhão nas diferenças, que pode ser facilitada só por pessoas magnânimas que têm a coragem de ultrapassar a superfície conflitual e consideram os outros na sua dignidade mais profunda” (EG, n. 228). Um âmbito importante onde ensaiamos processos de construção de paz é nossa postura nas redes sociais, com atitudes respeitosas, sem agressividade.

Podemos sonhar, sim, com a paz. Trabalhemos sem a ansiedade de resultados. Com convicções claras, “ocupar-se mais com iniciar processos do que possuir espaços” (Francisco, Evangelii Gaudium, n. 223). O Sagrado Coração de Jesus, fonte de misericórdia e paz, nos abençoe este caminho.

Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta e

Referencial para a Evangelização da Juventude na CNBB Sul 3

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