Sonhos grandes para corações grandes

Aceita as surpresas que transformam teus planos, derrubam teus sonhos, dão rumo totalmente diverso ao teu dia e, quem sabe, à tua vida. Não há acaso. Dá liberdade ao Pai, para que Ele mesmo conduza a trama dos teus dias.

Dom Helder Camara, grande missionário da simplicidade e do amor, consegue traduzir com sabedoria a experiência da missão. Por mais esperada, planejada, calculada que seja, é uma surpresa. Surpresa de alegria, daquelas que a gente anseia por viver cada vez mais.

Os planos de Deus são arrebatadores para aqueles que se dispõem a sonhar nas nuvens da fé, da esperança e do amor. Mas os caminhos ousados de um Pai capaz de mudar todos os teus rumos, só chegam para aqueles capazes de acolhê-los.

O pedido do papa Francisco na Evangelli Gaudium, sobre uma Igreja em saída, também serve para nosso coração. Adaptando, é melhor um coração acidentado, ferido e sujo por ter saído pelas estradas, a um coração enfermo pelo fechamento e pela comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Coisas grandes só acontecem para aqueles que têm um coração grande para sonhá-las e uma coragem grande para realizá-las.

A missão é um desses sonhos que precisam da fé, da esperança e do amor. A fé de que as dificuldades serão superadas, a esperança de que o trabalho seja de vida e o amor que dá novo sentido a tudo.

Quando ousei sonhar a missão em Moçambique, não imaginei que seria tudo fácil. Mas também me dispus a servir a partir da realidade que encontrasse aqui, e não do meu desejo. Isso porque acredito verdadeiramente que a transformação nasce da nossa capacidade de compreender com compaixão e empatia a cultura, a religião, os costumes, as opções e os contextos sociais, políticos e históricos de um povo. Eu me faço, me construo, me reconheço quando me encontro no outro.

Hoje, já são 9 meses de missão e, nestes mais de 270 dias aqui, refiz diariamente a minha escolha. Ainda que nas dores da impotência, das doenças, da saudade. Ainda que na comida diferente, no desafio de aprender uma nova língua e de ver os dias escorrerem como água contra o relógio e os planos que temos. Ainda assim, a cada momento, tenho a certeza de que ser missionária vale a pena. Me inundo pela alegria da possibilidade de poder construir em Moma novos caminhos.

Neste tempo, aprendi que um coração fechado junta muita teia de aranha e poeiras que não chegariam se a "casa" estivesse em movimento, viva. Coração que pulsa expulsa tudo o que não é bom. Um coração aberto para sair é capaz de acolher muito mais amor e sentir a verdadeira abundância da vida.

Que, inspirados pelo coração do próprio Cristo, tenhamos sempre sabedoria na escolha de nossos caminhos e principalmente coragem para sonhar e realizar grande.

Victória Holzbach

Missionária em Moma, Moçambique

Lida 320 vezes

Notícias por Diocese

Acesso Privado

Últimos Eventos


Sem eventos

Apoiadores

×

Atenção

JLIB_CLIENT_ERROR_JFTP_WRITE_BAD_RESPONSE