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Fé e cultura constituem o novo projeto da Catedral de Osório, que tem Nossa Senhora da Conceição como padroeira

Publicada em 27/05/2017

Terra da diversidade de povos, o Litoral Norte do Rio Grande do Sul já foi habitado por Guaranis, Kaigangs e Xoklengs, entre outras tribos. E a influência da cultura e da linguagem dos povos indígenas segue nos dias atuais, mesmo após 12 mil anos. É fácil encontrar indícios desses povos em palavras utilizadas para nomear a região, como, por exemplo, “Tramandaí”, “Itati”, “Mampituba”, “Itapeva”, quanto nos sambaquisde Xangri-lá e Capão Alto.

Mas foi na primeira metade do século XVIII, quando os luso-açorianos Manoel Gonçalves Ribeiro e seu irmão, Francisco Xavier Ribeiro, ao receberem a primeira carta de sesmaria expedida no Rio Grande do Sul (território de aproximadamente 4.000 km, de Torres até o Rio Capivari) que dá origem a região como é conhecida hoje. A chamada sesmaria “Campos de Tramanday” era trajeto dos tropeiros por ligar a Colônia de Sacramento ao povoado de Laguna (Santa Catarina). Dos “Campos de Tramanday” surgem diversas outras sesmarias, entre elas a da “Estância da Serra”, onde fica atualmente a cidade de Osório. E junto com os primeiros sesmeiros, chegaram também seus escravos, tornando ainda mais múltipla a cultura da região.

Imagem de Nossa Senhora da Conceição foi encontrada por escravos

E foram os escravos que encontraram, em arroio afluente do atual Arroio do Camarão, uma imagem de Nossa Senhora da Conceição que, posteriormente tornou-se a padroeira da cidade. Em 1742, foi construída a primeira capela dos antigos “Campos de Tramanday”. “Era uma construção simples, de madeira, às margens do Arroio da Caieira, o ponto mais alto da planície onde crescia o povoado, e que abrigava a imagem encontrada. Entretanto, os escravos, julgando ser de sua propriedade a imagem de Nossa Senhora, não se conformam com sua mudança de local, da senzala para a capela. Por isso, os negros frequentemente retiravam a imagem da igreja, à noite, e a levavam de volta para junto deles. Cada vez que isso acontecia, o padre, juntamente com um grupo de pessoas, buscava-a novamente, até que se instalou uma redoma de vidro na capela, isolando a imagem. Este fato deu origem à lenda de que a santa “fugia” da igreja e aparecia em diversos lugares”, conta o arquiteto Alencar Massulo, que pesquisou sobre a origem da região para embasamento do projeto de reforma da Catedral.

Mais tarde, em 1773, Dom Frei Antônio do Desterro criou a Paróquia Nossa Senhora da Conceição do Arroio (atual Osório), na época com 417 habitantes. E a Igreja Matriz passa a ser construída no período de 1793 a 1873 (figura 1).“Por volta de 1900, o campanário lateral foi demolido. À fachada original, então, acrescentou-se uma torre central (figura 2), e a antiga cruz de ferro existente deu lugar a uma nova, feita com pedra grês”, explica Massulo.

Com o desenvolvimento do lugarejo foi fundamental uma remodelação. Na década de 50, o cônego Pedro Jacobs (1904 - 1966) é o principal incentivador do novo projeto para a Igreja Matriz, a qual teve as paredes construídas ao redor da antiga (Figura 3). Osório tinha 55 mil habitantes nesse período. Com a criação da Diocese de Osório em 1999-2000, a Igreja Matriz passou a ser designada Catedral. E, em 2011, após período de consulta popular, novo projeto de reforma (figura 4) é iniciado com novo objetivo. “A principal motivação que nos levou a reforma da Catedral foi a necessidade de uma adequação litúrgica segundo a compreensão do Concílio Vaticano II. Externamente quase não tinha uma cara de igreja, quase que precisava escrever que fosse um templo de Culto. Internamente a disposição dos espaços litúrgicos e dos móveis não seguiam um lógica litúrgica atualizada. Foi possível fazer o que foi feito (a reforma) servindo-nos basicamente da mesma estrutura.”, explica Dom Jaime Pedro Kohl, Bispo da Diocese de Osório. O novo projeto propôs a alteração na fachada frontal com a permanência de uma única torre com a cruz para recuperar o valor histórico da construção, remetendo à primeira Igreja de 1742, como marco visual da cidade.

Portanto, para todas as comunidades católicas, a Catedral é o ponto de encontro para as principais festividades litúrgicas. Para cidade de Osório um orgulho, um cartão postal, palco de eventos não só religiosos e culturais, mas também cívicos. “Tanto para a cidade como para quem vem visitá-la, a Catedral é um símbolo que convida a olhar para o alto (para Deus) e também para os lados, como um convite a se harmonizar com o mundo, com a natureza e com os irmãos”, acrescenta Dom Jaime.

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