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Em missão pela vida
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Porque Ele vive, podemos crer e caminhar

Publicada em 16/04/2017

O Crucificado-Ressuscitado aproxima-se, discretamente, dos dois discípulos que estavam fugindo de Jerusalém para Emaús, na tarde daquele primeiro dia da semana, três dias após sua trágica morte, e lhes pergunta: “O que vocês andam conversando pelo caminho?” (Lc 24,17). Repete-se em cada um de nós, jovens ou adultos, esta cena, sempre que vivemos e celebramos a Páscoa. Não se tratam de ideias ou teorias, mas de uma companhia no caminho de nossas vidas. Este companheiro de caminhada faz a diferença em nossas vidas: sua Palavra abre nossos olhos e dá sentido a nossas buscas; aquece o coração e nos reencanta novamente por Ele e pelo seu projeto do Reino; suscita uma inquietação que nos move para fora de nós mesmos, de nosso pequeno mundo, para anunciá-lo e nos colocarmos “em missão pela vida”. Tem razão nosso Papa Francisco quando afirma que o diferencial na vida do discípulo é saber que “Jesus caminha com ele, fala com ele, respira com ele, trabalha com ele. Sente Jesus vivo com ele, no meio da tarefa missionária” (EG 266).

Porque Ele vive, podemos crer e caminhar. Com nosso olhar iluminado e o coração aquecido, aceitamos o convite que o Ressuscitado fez aos discípulos para retornar à Galileia (cf. Mc 16,7). Cuidemos para não ficarmos extasiados pela glória da ressurreição. Ela é a força para, com os pés na nossa história, assumirmos a fidelidade do seguimento de Jesus Cristo, no dinamismo renovador do seu Espírito. O próprio Senhor Ressuscitado não esconde e nem anula sua história vivida, revelando-se aos discípulos com suas chagas. Estas são uma memória perene do sofrimento e da violência que sofreu. Sim, aquele que foi Exaltado é o mesmo que, na cruz, foi o Humilhado: “desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos” (Is 53,3). Com a alegria da sua companhia e com a força do Espírito do Ressuscitado, a celebração pascal renova em nós este dinamismo da ressurreição, que faz assumir com coragem, a cruz de cada dia, pois uma semente de esperança é depositada em nossos corações. O cristão não pode fugir da cruz, nem dos crucificados de nossa história, pois tem um horizonte maior diante de si, que a tudo dá sentido, o Pai que ressuscitou o Crucificado, fonte de nossa esperança e de nossa fé.

Como portadores desta “força de vida que penetrou o mundo” (EG 276), estamos “em missão pela vida”. Podemos crer e construir, em nossas vidas e em nossos grupos de jovens, processos que partam do encontro com Jesus Cristo vivo e seu Evangelho. Que construam uma sociedade em que os jovens não sejam mortos por causa da drogadição, da violência familiar e social ou no trânsito. Somos portadores da vida nova, própria dos batizados. Apostamos em relações respeitosas e acolhedoras, transparentes e honestas, éticas e comprometidas com os mais pobres. Não nos deixamos enredar pelo consumismo que suga a alegria de viver, destrói a criação de Deus e não nos deixa contemplar a beleza da casa comum que todos habitamos. Sabemos que temos muito a contribuir para que o Brasil que sonhamos seja possível e o projeto do Reino anunciado por Jesus aconteça.

Enfim, desejo que o dinamismo renovador do Ressuscitado encontre alegre acolhida em nós e, assim, Ele “faça novas todas as coisas” (Ap 21,3).

Feliz e abençoada Páscoa do Crucificado-Ressuscitado a todos nossos jovens.

 

Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta e

Referencial para a Evangelização da Juventude CNBB Sul 3

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