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CF 2017: Conheça a Mata Atlântica

Publicada em 09/03/2017

Depois de conhecermos o Pampa, chegou a vez de adentrar a Mata Atlântica.

A Mata Atlântica é o bioma que percorre a maior parte da costa brasileira e se torna mais ampla na região Sul e boa parte do estado de São Paulo (recebe este nome por ser banhada pelo Oceano Atlântico na região das praias). No total, 17 estados brasileiros participam do seu território. Em sua geografia é possível perceber a presença de muitas capitais e regiões metropolitanas, o que gera um grande problema na preservação de seu bioma.

Na verdade, restam somente 12,5% da vegetação nativa originária. É um dado preocupante. Por outro lado, a Mata Atlântica tem uma capacidade única de se regenerar, o que os demais biomas brasileiros não são capazes de fazer.

Ela é de uma riqueza natural ímpar. De acordo com o Texto Base da CF 2017: “Vivem na Mata Atlântica mais de 20 mil espécies de plantas, sendo 8 mil endêmicas (...); 270 espécies conhecidas de mamíferos; 992 espécies de aves; 197 de répteis; 372 de anfíbios; 350 de peixes.” (nº. 123).

A pressão ambiental sobre este bioma é histórica. Iniciou-se ainda no período pós-descobrimento, com a extração do pau-brasil, e se estendeu durante toda a história posterior e seus ciclos econômicos: cana-de-açúcar, café, ouro, fumo. A partir do século XX, a agricultura e a agropecuária, a devastação das araucárias, a industrialização, a poluição do ar, das águas e do solo, a expansão urbana desordenada, e a exploração predatória de madeiras nativas foram os principais agentes agressores desse ecossistema.

Originalmente era ocupada por povos indígenas de etnias como Tamoio, Temininó, Tupiniquim, Caetés, Tabajara, Potiguar, Pataxó e Guarani. Porém, a chegada dos brancos trouxe, além da disseminação de doenças, o conflito pelas terras. Até hoje os índios precisam lutar muito para terem seus espaços garantidos e preservados. As comunidades tradicionais da Mata Atlântica são compostas por pescadores/as, indígenas, ribeirinhos/as, caiçaras, quilombolas que interagem com os manguezais.

Os manguezais são uma espécie de lugar sagrado. Isso se deve à consciência ecológica dos valores ancestrais de matriz africana e indígena, consciência esta harmonizada com e pelo catolicismo popular.

Esta é uma das presenças significativas que a Igreja tem neste bioma. Há também outros. Desde o início da colonização portuguesa, os missionários jesuítas como Manoel de Nóbrega, José de Anchieta, dentre outros, difundiu a fé cristã. Logo, foram realizados aldeamentos, bem como a construção de conventos e colégios, que auxiliaram na instrução da população local. As pastorais sociais são, hoje, também presença forte da Igreja. O trabalho nas bases e o auxílio no desenvolvimento da agricultura familiar têm fortalecido as classes populares e também elevado a produtividade, levando alimento a muitas casas do país.

Do ponto de vista político, há muitos passos a serem dados. O descaso e desconhecimento têm sido os grandes adversários. Aliam-se a eles os interesses econômicos, que não se preocupam com as consequências de suas atividades. Exemplo disso é a criação de camarão em cativeiro, gerando uma salinização excessiva da água, afetando a estabilidade biológica dos mangues, uma vez que estes são um tipo de ‘termômetro’ de regulação e promoção da vida no bioma.

Poderíamos ainda citar monocultura do eucalipto, que através de seu cultivo extensivo acaba por gerar os grandes desertos verdes. O cultivo da planta também afeta diretamente os manguezais, devido ao alto índice de absorção de água, “secando” e “drenando” os mangues. Sem água, não há vida. Além desses, há vários outros problemas que precisam ser enfrentados, e enfrentados com urgência. Novamente, percebemos o desenvolvimento econômico inconsequente como grande adversário da vida e de sua riqueza e diversidade. Urge o cuidado e a preservação. 

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