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Visitar os presos

Publicada em 21/09/2016

Visitar e acompanhar os detentos, talvez seja a mais difícil e radical obra de misericórdia corporal, enunciada por Jesus, no conhecido ensinamento de Mt 25,36: “eu estava na prisão, e vocês vieram me visitar”.  Chama a atenção também o fato de que Jesus os tenha anunciado como parte de sua missão messiânica: “enviou-me para anunciar a libertação aos presos” (Lc 4,18). Isto porque o projeto de Deus não quer nem violência e nem prisões, mas a vida plena para todos. Visitar os presos traz a marca plena da gratuidade e da misericórdia. Ninguém vai ao encontro dos presos esperando um retorno, mas unicamente para lhes recordar, não obstante a história e os erros de cada um, que são filhos de Deus, amados por Ele. Disse Jesus: “Porque se vocês amam somente aqueles que os amam, que gratuidade é essa?” (Lc 6,33). O desejo é somente o de fazer-se próximo e deixar-se afetar por eles, suas vidas, suas dores e suas esperanças.

A Igreja tem uma rica experiência neste mundo das prisões. São abundantes os relatos das perseguições, sofrimentos e prisões sofridas pelos cristãos, desde o início até hoje: Pedro, Tiago, Paulo e tantos outros, nos diferentes lugares e períodos da história.  A carta aos Hebreus recorda: “lembrai-vos dos presos, como se estivésseis na prisão com eles.” (Hb 13,3). Os relatos seriam tantos, de pessoas que se fizeram e se fazem próximas, no cuidado dos presos, vivendo em seus membros os sofrimentos e amarguras das prisões. Recordo de um filme intitulado “Os últimos passos de um homem” (EUA, 1995), em que uma irmã religiosa acompanha os últimos dias de um condenado à morte. Demonstrou-lhe muito amor, recordando-lhe: “você é um filho de Deus.” A misericórdia renova tudo, mesmo os corações incrédulos e endurecidos.

Quem já teve a oportunidade de conhecer uma penitenciária e visitar os presos, com certeza, não pode ficar indiferente. As reações podem ser diversas: medo, revolta, compaixão, questionamentos sobre o ser humano e sua fragilidade, sobre a autenticidade de nossa fé ou sobre as mazelas sociais que estão na base desta triste situação. As penitenciarias mostram a chaga purulenta de uma sociedade doente. Por isso, olhar para o rosto de um preso deve produzir uma inquietude interior que nunca mais nos deixa indiferentes diante de todo tipo de sofrimento pessoal e social. A visita aos presos, mais do que para oferecer-lhes algo, é ocasião para aprender a viver a gratuidade e a misericórdia e empenhar-se na superação das causas sociais que produzem esta triste realidade.

Uma atitude fundamental é despir-se de preconceitos e julgamentos. Não falta quem pense assim: “se estão lá é porque merecem” ou “não perca tempo, eles não têm mais solução”. O papel de quem os visita, e da Pastoral Carcerária em especial, não é julgar. Eles já têm quem os julga: a justiça e a sociedade. Uma abertura sincera para o acolhimento e a escuta são essenciais. Certamente lhes fará bem uma proximidade que os ajude na autoestima, nos pequenos gestos de solidariedade e de paz capazes de quebrar a cadeia da violência. Quando se trata de apresentar Jesus Cristo e a Palavra, fazê-lo com humildade, como quem também é necessitado da misericórdia divina e está no caminho do seguimento de Cristo. Cremos que “Cristo liberta de todas as prisões” (CF 1997).

Estimado jovem, como é belo ter sonhos e projetos de uma vida feliz! E saber que a maioria dos detentos de nosso país são jovens. Qual será seu futuro?

 

            

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