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O cuidado com a vida

Publicada em 15/09/2016

Conforme a Carta Encíclica Evangelium Vitae do Papa João Paulo II, o evangelho da vida é o núcleo central da missão redentora de Jesus. Ele veio nos dar a vida em abundância (Jo 10,10) que consiste na vida nova e eterna, comunhão com a Trindade, onde todos os aspectos e momentos da vida humana adquirem pleno significado. O ser humano é chamado a uma plenitude de vida pela participação na própria vida de Deus. O evangelho da vida ecoa profunda e persuasivamente no coração de cada pessoa, proclamando o valor sagrado e incomensurável da vida humana desde o seu início até o seu termo. Tudo quanto se opõe, viola e ofende a integridade e a dignidade da vida humana, corrompe a civilização e ofende gravemente a honra devida ao Criador.

Com as perspectivas abertas pelo progresso científico e tecnológico, nascem novas formas de atentados à dignidade do ser humano, suscitando graves preocupações e uma alteração na maneira de considerar a vida e as relações humanas, chegando-se até a legitimar tais ações contra a vida, sintoma preocupante de uma grave derrocada moral. Difundem-se soluções falsas e ilusórias, em contraste com a verdade e o bem das pessoas e das nações. A consciência se vê ofuscada por tão vastos condicionalismos, que lhe custa cada vez mais distinguir entre o bem e o mal no que tange ao valor fundamental e inviolável da vida humana. Os membros da Igreja, povo da vida e pela vida, sejam sinais no mundo de uma nova cultura da vida humana, para uma autêntica civilização da verdade e do amor.

O Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium, afirma que os riscos do mundo atual são o consumismo, o individualismo e o hedonismo. O encontro com o amor de Deus nos resgata de nossa autorreferencialidade, nos conduz para além de nós mesmos, a fim de alcançarmos nosso ser mais verdadeiro. Na doação, através da dinâmica do êxodo e do dom, a vida se fortalece; no comodismo e no isolamento, se enfraquece. A vida amadurece à medida que é entregue para dar vida aos outros. É preciso tomar a iniciativa, ir ao encontro, procurar os afastados, envolver-se, acompanhar, festejar, sem reações lastimosas ou alarmistas perante as dificuldades. É imperioso dizer não a uma economia da exclusão e da desigualdade social, conivente com a cultura do descartável e com a globalização da indiferença.

A cultura do bem-estar nos anestesia. O relativismo e a superficialidade moral da sociedade da informação, nos deixa saturados e indiferentes. Faz-se necessária uma educação que ensine a pensar criticamente, que proporcione um amadurecimento nos valores. Precisamos alimentar uma fraternidade mística e contemplativa que saiba ver a grandeza sagrada do próximo, para ver Deus em cada ser humano, especialmente nos mais fragilizados. O mundo dilacerado pelas guerras, violências e discórdias necessita do testemunho de comunhão fraterna dos cristãos. A missão nos arranca da mediocridade, não podemos deixar que as dúvidas e o medo sufoquem nossa ousadia. Uma fé autêntica alimenta o desejo de mudar o mundo, de torná-lo melhor. Atendendo ao chamado de Jesus, somos convidados a cuidar dos mais frágeis, na contramão do modelo social atualmente em vigor do êxito e da competitividade. Nossa vocação é a de sermos guardiões uns dos outros e da criação.

Na Carta Encíclica Laudato Si’, o Papa Francisco amplia a reflexão sobre o cuidado com a vida abordando a respeito da corresponsabilidade que todos nós temos no zelo pela nossa casa comum, tendo em vista a deterioração global do meio-ambiente. É necessário evitar um uso irresponsável e abusivo dos bens da criação. Há um apelo urgente por uma mudança radical no comportamento humano devido à possibilidade de uma catástrofe ecológica eminente. A degradação da natureza com o consequente comprometimento da integridade do planeta, faz-nos repensar nosso estilo de vida. Precisamos nos arrepender e nos converter, passando do consumismo à capacidade de sacrifício, da avidez à generosidade, do desperdício à capacidade de partilha.

O cuidado com a vida requer um desenvolvimento social e econômico sustentável, conjugado com uma ecologia integral, vivida na alegria e na autenticidade. O mundo precisa de uma solidariedade universal que envolva a todos em prol da reparação dos danos causados por nossos erros. Nunca ferimos e maltratamos tanto a nossa casa comum como nos últimos dois séculos. O interesse econômico e mercadológico não deve prevalecer sobre o bem comum. O sistema mundial atual é insustentável, basta olhar a realidade com sinceridade. O ser humano traiu o seu mandato de cultivar o jardim do mundo com cuidado, proteção e zelo; deixou de guardar a criação com o respeito que ela merece. O antropocentrismo despótico precisa dar lugar a uma nova mentalidade que tenha como centro o cuidado com a vida em sua integralidade e integridade. Tudo está interligado. Somos todos co-responsáveis por tudo e por todos!

 

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