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Comunicadores gaúchos refletem sobre a Pastoral da Comunicação

Publicada em 19/05/2016

O que significa ser um comunicador católico? Como fazer chegar às pessoas a boa-nova cristã, os princípios e valores ensinados por Jesus Cristo e todas as ações voltadas à prática da caridade e da misericórdia em nossa Igreja? Eis um grande e bonito desafio, que motiva jornalistas e demais comunicadores católicos a fazer da comunicação um meio de evangelizar. 

Dentro desta proposta, a Pastoral da Comunicação do Regional Sul 3 da CNBB promoveu nos dias 10 e 11 de maio últimos a Semana da Comunicação, em Porto Alegre. Participaram agentes da Pascom e comunicadores de várias (arqui) dioceses gaúchas. Representaram a Pascom da Diocese de Montenegro o Pe. Ludinei Vian, a jornalista Graziela Wolfart, Victor de Oliveira, Evanice Schroeder e Maiara Pereira. 

O encontro teve início na manhã de terça-feira, dia 10 de maio, com um café da manhã oferecido à imprensa, como um meio de aproximar a Igreja da mídia secular e religiosa. Em seguida, Dom Leomar Brustolin, bispo auxiliar da Arquidiocese de Porto Alegre, conduziu toda a manhã de formação com os presentes tratando sobre o tema da Misericórdia e da comunicação. Dom Leomar destacou o desafio de falar sobre a misericórdia de modo atrativo, inclusive em função da dificuldade em se compreender o conceito de misericórdia. Ele também propôs um debate sobre as imagens de Deus que comunicamos e sobre as implicações da misericórdia nas práticas da Pascom. Segundo Dom Leomar, o conceito de misericórdia remete ao sentimento de dor diante da miséria do outro. “Comunicação que não é misericordiosa se mata. Não devemos ser vaidosos na hora de publicar em nossos meios o que realizamos enquanto Igreja”, defende, reiterando que o que o Papa Francisco diz vira notícia porque fala de elementos concretos. “Nunca o mundo foi tão necessitado de misericórdia”. Para o bispo, é preciso ter cuidado com uma comunicação que fala “para nós mesmos”. “Fazemos missão pescando no aquário. Devemos fazer uma Pascom ‘em saída’”, explicou. E concluiu sua fala com o seguinte questionamento: “que tipo de revisões a misericórdia suscita em nossas práticas comunicativas?”. 

Na terça-feira à tarde, os comunicadores participantes do encontro puderam prestigiar duas oficinas práticas sobre fotografia e vídeo. Vinícius Roratto, fotógrafo profissional, compartilhou dicas voltadas à técnica da fotografia e do melhor uso das câmeras fotográficas para um bom resultado das coberturas de evento contempladas pelas equipes de Pascom. Em seguida, José Zanandréa, repórter da Rede Vida de Televisão, propôs uma oficina prática de reportagem televisiva com os participantes do encontro, além de dar algumas dicas sobre a importância de um texto criativo para a televisão. 

Na manhã da quarta-feira, dia 11 de maio, foi a vez de Waldir Bohn Gass, articulador das Pastorais Sociais da CNBB Sul 3 partilhar com os comunicadores alguns elementos da Encíclica Papal Laudato Si, que versa sobre a ecologia. Bohn Gass destacou que a humanidade tem uma imensa capacidade de destruir o planeta. Ele falou também sobre a lógica do sistema capitalista e sua consequente perversão pelo consumo desenfreado. “O problema do capitalismo é a transformação das mercadorias para fonte de lucro, indo além do consumo para sobrevivência e satisfação das necessidades humanas”, disse. 

Para Waldyr, é preciso “transformar o capitalismo por dentro, na condição de empresário, por exemplo. Não é possível ser cristão e defender o sistema capitalista. Trata-se de um sistema que mata. A alternativa é uma economia baseada na cooperação e não na competição, mas que impulsione a solidariedade”. O articulador também afirmou que “o capitalismo não consegue conviver com a democracia, porque concentra as decisões em função da concentração do poder econômico”. E concluiu: “é preciso unir os povos no caminho da justiça e da paz, defendendo a Mãe Terra. Quem vai fazer essas mudanças? A ecologia é o meio ambiente como um todo, incluindo as pessoas. Hoje todos estamos em situação de risco, em função do caos climático, mas é claro que os pobres são os primeiros e as maiores vítimas. O ser humano não pode abrir mão de sua responsabilidade e peculiaridade dentro do sistema ecológico e da natureza. Precisamos desenvolver uma nova mística das relações, onde o outro não é meu inimigo ou concorrente, mas alguém que pode me ajudar”. 
 
Concluindo a Semana da Comunicação, os participantes tiveram a oportunidade de refletir com o Pe. Ludinei Vian, assessor eclesiástico da Pascom da Diocese de Montenegro, sobre o uso das redes sociais pela Igreja, como um meio de evangelização por meio do ambiente digital. Em seguida, o jornalista Magnus Regis falou aos comunicadores sobre “redação jornalística”, defendendo a importância de se “colocar humanidade” nos textos jornalísticos. Segundo ele, “podemos humanizar as pessoas pelo nosso texto. Não podemos fazer da Igreja uma instituição rígida, dura, fria. As pessoas devem se sentir tocadas pela informação. Notícia que não provoca reação, que não gera envolvimento, não é notícia. Quando escrevemos devemos estabelecer relações e dar sentido àquilo que publicamos”. E concluiu: “que nossos textos extrapolem as letras impressas ou digitais. Que construam pontes, incentivem a formação e o diálogo. E que a mensagem de Deus penetre o coração de cada homem e de cada mulher”. 

O próximo encontro de formação promovido pela Pascom Regional Sul 3 será no dia 2 de junho, em São Leopoldo. 

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