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Eucaristia: provocação para que nos tornemos semelhantes a Cristo

Publicada em 24/03/2016

Através dos sacramentos, Deus se utiliza de sinais sensíveis para se fazer próximo de nós, nos comunicando a sua graça invisível e misteriosa que edifica e salva. Deus mesmo se comunica a nós na humildade e singeleza dos meios sacramentais, sendo que “a santíssima Eucaristia contém todo o bem espiritual da Igreja, a saber, o próprio Cristo, nossa Páscoa.” (cf. Instrução Eucharisticum Mysterium, n. 6). De acordo com o Concílio Vaticano II, a Eucaristia é “fonte e ápice de toda a vida cristã” (Presbiterorum Ordinis, n. 5), é a tradução de um amor que se doa e se entrega sem reservas, sem medir esforços para nos salvar.

A instituição da Eucaristia, narrada na última ceia (cf. Mt 26, 26-29; Mc 14, 22-25; Lc 22, 19-20; 1 Cor 11, 23-25), é omitida pelo Evangelho de João, o qual não só supõe a narração dos Evangelhos Sinóticos (Mt, Mc e Lc), mas ressalta no capítulo 13 o lava-pés como testemunho de um Cristo servidor, exemplo a ser seguido no serviço, na doação e na entrega, atitudes eucarísticas fundamentais a serem vivenciadas por seus discípulos. Quem comunga da Eucaristia precisa se tornar semelhante ao que assimila, como um alimento que nos transforma naquilo que acabamos de receber, nos tornando mais divinizados e mais humanizados, para nos doarmos e nos entregarmos pelo bem e pela salvação do mundo.
A Eucaristia é mistério de fé, memorial e presença do sacrifício de Cristo, que nos empenha cada dia à prática do amor ao próximo, a sairmos de nós mesmos indo ao encontro do outro. A Eucaristia edifica a comunhão da Igreja à imagem do Deus Uno e Trino, Pai, Filho e Espírito Santo, que não vivem para si, mas para os outros, em um doar-se ao extremo para que a vida aconteça em toda sua beleza e formosura. A Eucaristia é banquete que nos lembra do valor da partilha, do repartir o pão com quem não tem. A Eucaristia é comunhão com Cristo nos irmãos que mais necessitam de nossa compaixão solidária, misericordiosa e apaixonada.
A Igreja oferece ao Pai o dom que ela mesma recebeu gratuitamente como pura graça, elevando uma grande “ação de graças” que se converte em caridade ardente. Na força do Espírito Santo, e pela mediação dos ministérios na comunidade, torna-se possível termos acesso ao pão e ao vinho consagrados e transubstanciados em Corpo e Sangue do Senhor, que se tornarão carne de nossa carne, sangue de nosso sangue. Comungando, seremos “concorpóreos” e “consanguíneos” com o Senhor, nos comprometendo a reproduzir as suas mesmas atitudes. Seremos “eucaristizados” para amar como Ele amou. No “fazei isto em memória de mim” (1 Cor 11, 24-25), a Igreja não só perpetua uma memória, um gesto simbólico, mas uma atitude profética, compartilhando a presença Daquele que não guardou nada para si, mas que veio para dar a vida e que nos chama a fazer o mesmo! Por isso, “comungar é tornar-se um perigo”, diz o canto.
A Eucaristia não é apenas uma devota recordação, mas a presença eficaz do Senhor morto e ressuscitado, que quer se encontrar com todas as pessoas. Na Eucaristia se comemora a paixão do Senhor como verdadeiro sacrifício, que promove a unidade das pessoas reunidas como Igreja viva, e prefigura a bem-aventurança divina que se realizará na vida eterna. Essa fé se traduz nas palavras pronunciadas após a consagração: “anunciamos Senhor a vossa morte e proclamamos a vossa ressurreição, vinde Senhor Jesus!” Segundo Santo Agostinho, a Eucaristia “é o sacramento da piedade, sinal da unidade, vínculo da caridade.” (Serm. 57, 7; Tract. In Ioan. 26, 13). De acordo com o Catecismo da Igreja Católica, “a Eucaristia é o resumo e a suma da nossa fé.” (n. 1327). A Igreja vive da Eucaristia, pois dela recebe como fonte a vida divina que vem do alto para construir a comunhão que se converte em missão, nos transformando semelhantes a Cristo.

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