E aí tchê
Em missão pela vida
FacebookTwitterInstagramYouTube

Dar de beber a quem tem sede

Publicada em 29/02/2016

“Tenho sede.” (Jo 19,28). Estas palavras, pronunciadas por Jesus crucificado neste momento dramático de sua vida, sintetizam o apelo presente na segunda obra de misericórdia corporal. Esta sede pode apontar para dois sentidos, ambos igualmente importantes. O primeiro expressa a sede presente no coração humano, muitas vezes presente na Sagrada Escritura, como nos salmos: “Ó Deus! [...] A minha alma tem sede de ti.” (Sl 63,2). Ou, “a minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando terei a alegria de ver a face de Deus?” (Sl 42,3). Até chegar ao próprio Jesus, que sentado junto ao poço de Sicar, à Samaritana pede: “Dá-me de beber.” (Jo 4,7). Mas Jesus, como diz Santo Agostinho, “tinha sede da fé daquela mulher” (Ioh. Ev. 15, 11), assim como da fé de todos nós. O diálogo desemboca no pedido da mulher a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água para que eu não tenha mais sede, nem precise vir aqui para tirar.” (Jo 4,15). Como Jesus, no poço de Sicar, somos convidados a sentar com os homens e mulheres, sobretudo os jovens, e perscrutar seu mais sincero desejo de “água viva”. O diálogo da Samaritana com Jesus nos ensina a difícil arte do discernimento para evitar águas contaminadas às quais somos expostos. Como não repetir, hoje, as palavras do profeta Jeremias: “eles me abandonaram, a mim, a fonte de água viva, e cavaram as suas próprias cisternas, cisternas rachadas que não retêm água.” (Jr 2,13). Mas aquele que beber da “água viva” fará brotar de dentro dele “uma fonte de água que jorra para a vida eterna.” (Jo 4,14). Isto é, saberá dar de beber a quem tem sede!
O segundo sentido é o dramático problema mundial do acesso à água, sobretudo para os mais pobres. Aqui trata-se da água, cantada por São Francisco de Assis como “a irmã água, que é muito útil e humilde, preciosa e casta.” (Cântico do Irmão Sol). No entanto, nos recordou o Papa Francisco, na carta encíclica Laudato Si, as crianças que adoecem e morrem por beberem água contaminada. Hoje, as palavras de Jesus “eu estava com sede e me destes de beber” (Mt 25,35), tornam-se um imperativo mundial, que garanta o acesso à água potável, como “um direito humano essencial.” (LS 30). Diz o Papa que “este mundo tem uma grave dívida social com os pobres que não têm acesso à água potável, porque isso é negar-lhes o direito à vida radicado na sua dignidade inalienável” (Idem, n. 30).
Um grande apelo é feito a todos nós e, também, aos jovens para nos educarmos para o uso responsável da água, sem desperdício. É um bem preciso e, ao mesmo tempo, limitado. O saneamento básico, proposto pela Campanha da Fraternidade Ecumênica deste ano, passa pelo cuidado com a água.
Enfim, os jovens que têm a alegria de beber da “água viva”, como a Samaritana, que “deixou o balde, foi à cidade” (Jo 4, 29), conduzem outros jovens ao poço para dialogarem com Jesus Cristo e, também, saciar a sede, pois Ele quer “dar a você a água viva” (Jo 4,10). Igualmente, porque nos irmãos sedentos é Cristo que pede para beber, lutam pelo direito universal à água, fonte de vida e saúde. Rogamos ao Pai, “que nós, cristãos, contribuamos para que nenhum membro de vossa família humana sofra com a falta de água.” (Diocese de Caxias do Sul, Via Misericordiae, p.9).
Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta e Referencial para a Evangelização da Juventude - RS

E aí tchê

Subsídios

© 2017 - E aí tchê Site produzido pela Netface