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Quaresma e Campanha da Fraternidade: duas faces de uma mesma moeda?

Publicada em 16/02/2016

 “Acaso o jejum que prefiro não é outro: quebrar as cadeias injustas, desligar as amarras do jugo, tornar livres os que estão detidos, enfim, romper todo tipo de sujeição?” (Is 58,6),

 

O que achas que tem a ver Quaresma e Campanha da Fraternidade? (Pense nisto antes de ler este texto!)

Numa primeira resposta, pode-se se pensar que elas estão ligadas apenas pelo tempo: ambas acontecem nos quarenta dias anteriores à páscoa. Num segundo momento pode-se até torcer o nariz para qualquer relação entre as duas coisas, como se uma tratasse de coisas espirituais e a outra de coisas apenas sociais. Mas vamos fazer uma reflexão para além de rótulos ou pré-conceitos.

O tempo da quarema é um tempo forte, intenso e cheio de possibilidades. Este período litúrgico não tem um fim em si mesmo, mas só toma sentido ao mirar a páscoa do Senhor. O centro da época quaresmal é a vivência de um caminho que nos leve a viver de forma consciente e plena o amor de Deus, manifestado em Cristo Jesus, morto e ressuscitado, e ainda presente no meio de nós com seu Espírito Santo vivificador. A palavra central deste percurso é CONVERSÃO, pois o único objetivo de caminhar pelos dias da quaresma é cada dia mais converter o nosso coração, a nossa vida ao projeto encarnado por Jesus.

Uma figura interessante para representar a quaresma é a de um grande retiro, um tempo de retirar-se do afazeres do dia-a-dia e acalmar o coração para repensar aonde nos situamos na caminhada de fé, o que nos orienta, quem é o centro do nosso projeto de vida. O fim deste caminho deve ser renovar a adesão à boa notícia que Cristo trouxe, não apenas de forma intelectual ou ideal, mas de forma vivencial, crítica, comportamento. Viver a quarema exige uma mudança de vida.

Mas o que tem a ver tudo isso com a Campanha da Fraternidade? Vamos seguir um raciocínio conjunto...       

Se vivermos o centro da quaresma (conversão), o projeto de Jesus Cristo se torna realidade prática. Este projeto tem a ver com promover a vida, até que todos e todas a tenham em abundância. Ou seja, a vivência da proposta de Jesus Cristo nasce em primeiro lugar como uma mudança interior de cada batizado, gestado e vivido dentro de uma comunidade de fé e deve, obrigatoriamente, se refletir como mudança exterior social. A campanha da fraternidad é uma oportunidade de voltar o nosso olhar para uma realidade que precisa de nossa conversão e adesão. Aquele que se encontrou com o amor de Deus, encarnado em Jesus e nos dado pelo Espírito Santo não pode ser indiferente a realidade de dor que o cerca; somos, pelo batismo, profetas da civilização do amor e da fraternidade.

Em 2016 a proposta é pensar sobre o que Papa Francisco chamou da “casa comum”, lugar habitado por irmãos e filhos de Deus. Então não perca o raciocínio: se o centro da quaresma é a conversão ao centro de nossa fé, o resultado disso é a vivência dessa fé. Se cremos que Deus é pai, criador de todas as coisas, somos responsáveis pelo cuidado das coisas criadas por Deus. Essa tarefa está nas mãos de cada cristão e cristã! Separar o lixo, não jogar lixo no chão, cuidar do desperdício da água, lutar para que todos tenham água potável e acessível, não é apenas uma preocupação social, deve ser um comportamento de cuidado com a casa comum.

A vivência do tempo quaresmal intimamente relacionado com a campanha da fraternidade nos dá a possibilidade de conjugar um caminho de voltar-se sempre ao Cristo e marcar esta conversão com sinais de consciência comunitária e social. Que possamos rever nossas práticas no cuidado para com a casa comum, não olhando apenas para ações governamentais, mas também para nossas atitudes cotidianas de morte para com a criação de Deus.

 

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