E aí tchê
Em missão pela vida
FacebookTwitterInstagramYouTube

O valor da oração

Publicada em 12/02/2016

No tempo da Quaresma, os cristãos são convidados a viverem três práticas penitenciais: oração, jejum e caridade. A oração nos faz elevar nossa vida a Deus. Jejum aos bens materiais e ao mundo. Já a caridade nos faz próximos de nossos irmãos e irmãs. Mas como devemos rezar neste tempo tão especial? Sabemos que a oração é parte incondicional de toda religião. É seu coração e sua essência. São João ao falar de oração nos pede que seja em espírito e verdade. E ela nos imerge no mistério trinitário como mostra o Pai Nosso. Ela deita suas raízes no Senhor que veio, que vem e que virá e se fecha na contemplação do Dom de Deus, recebido de Cristo no Espirito Santo.

Herdamos muitas formas e usos de oração do judaísmo, religião predominante na época de Jesus. Para os monges a oração é a ciência por excelência que tudo resume em si: a fé, a vida de acordo com a fé e a salvação. São Basílio (379) dizia que a “oração é pedido a Deus dos bens convenientes; elevação do espirito para Deus; diálogo do espirito com Deus”.

Santo Agostinho dizia que as nossas orações são por Cristo, com Cristo e em Cristo. A oração é comparada aos membros de um corpo cuja cabeça é Jesus; os membros gritam suplicando as forças.

Queremos partilhar a sabedoria do Papa Emérito Bento XVI que no livro “Jesus em Oração”, nos exorta: “Jesus rezava muito, e sua oração atravessa toda sua vida, como um canal secreto que irriga a existência, as relações e os gestos, (...) segundo o desígnio do amor de Deus Pai”. A oração está muito presente na vida de Jesus, especialmente antes de tomar suas decisões. Com gesto de ir até o rio Jordão a fim de ser batizado pelo seu primo João, ele já antecipa a cruz, ou seja, Jesus solidariza-se com os pecadores assumindo os nossos pecados nos seus próprios ombros, assumindo a culpa da humanidade inteira.

Neste período quaresmal podemos percorrer com Jesus os lugares onde ele rezava. Cada final de semana, os Evangelhos dos cinco domingos nos levam a um lugar diferente. A ambientação da oração de Jesus é importante, uma vez que ela vai de encontro com a caminhada e tradição do povo, e a novidade de uma relação pessoal singular com Deus. Por exemplo: “O lugar deserto” como lugar de retiro, longe do barulho, longe da multidão; ou “o monte” onde Jesus sobe para fazer sua oração. Fez-me lembrar as construções dos templos de oração que, antigamente, tinham altas escadarias, altas torres e construídas em lugares altos, dando o sentido de subir para estar mais próximos de Deus (o céu).  Ou ainda, a “noite” propicia solidão evocando momentos do caminho da revelação de Deus no Antigo Testamento, indicando a continuidade do seu plano de salvação.

Através de nossa oração entramos na história de salvação, onde Jesus é o ápice, para renovarmos diante de Deus a nossa decisão de acolher sua vontade, e sermos obedientes ao Pai no seu desígnio de amor por nós. Jesus também passa por dificuldades, mas elas não o impedem de prosseguir sua caminhada, pois a oração toca todas as fases do seu ministério e todos os dias.

Bento XVI em suas audiências papais nos provocava com algumas questões: como eu rezo, como nós rezamos? Que tempo dedico à relação com Deus? Existe hoje uma formação e educação suficientes para a oração? Quem pode ensinar a rezar?

Neste tempo favorável é preciso viver rezando através da escuta, meditação e silêncio diante do Senhor, e isso, só se aprende praticando. Exige de cada um de nós comprometimento, disciplina e a assiduidade. Ousemos ser diferentes. Ousemos ser fervorosos na oração a exemplo do Mestre Jesus Cristo.

E aí tchê

Subsídios

© 2017 - E aí tchê Site produzido pela Netface