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Dom Jaime fala sobre tema da Campanha da Fraternidade, Aedes aegypti e aborto em artigo publicado na ZH

Publicada em 12/02/2016

Em artigo publicado na edição desta sexta-feira (12) da Zero Hora, Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre e presidente do Regional Sul 3 da CNBB, fala sobre como a crise provocada pelas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti podem ser uma oportunidade para discutir os desafios da saúde pública e do saneamento básico no Brasil, tema da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2016. Ele também aborda a questão do aborto, que tem sido opção das gestantes de fetos portadores de microcefalia.

Confira o artigo na íntegra:

Corresponsabilidade e bom senso

A crise provocada pelas doenças transmitidas pelo Aedes aegypti representa uma oportunidade para discutir, de forma honesta, os desafios da saúde pública e do saneamento básico no Brasil.

A causa principal consiste no fato de o Brasil ter um plano de saneamento básico atrasado, o qual traz péssimas consequências para a saúde pública. A questão a ser discutida não se reduz, portanto, à microcefalia nem ao aborto, mas abrange sobretudo a situação do saneamento básico e as condições da saúde pública em território nacional.

A propagação do zika vírus e o aumento de casos de microcefalia levaram a Organização Mundial da Saúde a lançar um alerta internacional. Aproveitando-se disso, alguns grupos propõem a ampliação das possibilidades para a prática do aborto.

A vida, na perspectiva cristã-católica, é compreendida como dom e bem supremo. Se a sociedade for orientada a acolher somente os saudáveis e fortes, não se estaria abrindo caminho para a eugenia? "Se quisermos sustentar um fundamento sólido e inviolável para os direitos humanos, é indispensável reconhecer que a vida humana deve ser defendida sempre, desde o momento da fecundação. De outra maneira, as circunstâncias e conveniências dos poderosos sempre encontrarão desculpa para maltratar as pessoas" (Documento de Aparecida, 467).

Partir dos casos detectados de microcefalia para discutir a questão do aborto é desviar o foco do ponto principal. O próprio diagnóstico desta patologia é complexo! Não se pode banalizar a situação! É preciso divulgar informações honestas, orientadas pela ética.

São necessárias ações de combate ao mosquito e às consequentes doenças por ele propagadas. Não se pode, todavia, esquecer que o próprio ser humano favorece a multiplicação do mosquito. Uma demonstração disso é a resistência do Aedes aegypti a diversos inseticidas.

Diante da crise provocada pela contaminação causada pelo mosquito Aedes aegypti, todos são convocados à corresponsabilidade e ao bom senso: governos e população.

Os desdobramentos da presente situação exigem bom senso, sempre considerando que a dignidade incondicional de toda vida humana é um valor universal que não deve e não pode ser relativizado.

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