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Dar de comer a quem tem fome

Publicada em 04/02/2016

O lugar bíblico chama-se Betsaida. Deste pequeno povoado, próximo de Cafarnaum, eram alguns dos discípulos de Jesus: Pedro, André e Felipe. Aí, diante de uma multidão faminta de cinco mil homens, Jesus, movido pela misericórdia, realiza a multiplicação dos pães, saciando a fome de todos a partir de “cinco pães e dois peixes.” Surpreendeu os apóstolos, dando-lhes uma ordem: “Vocês é que têm que lhes dar de comer.” (Lc 9, 13). Os discípulos ainda estavam longe de compreender o que, mais tarde, Jesus deixaria mais claro, afirmando: “Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer.” (Mt 25, 35). Isto porque, “todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram.” (Mt 25,40).

Qual a mística desta primeira obra de misericórdia? Neste Ano Jubilar, a Igreja nos convida a termos um estilo de vida misericordioso, como o Pai é misericordioso conosco e com os olhos fixos em Jesus, o rosto da misericórdia do Pai. Importante sublinhar que as palavras de Jesus, identificando-se com os pequeninos necessitados são a motivação, a mística de todas as obras de misericórdia. Dizia São Cipriano: “o que não presta atenção àquele que sofre, menospreza o Senhor presente nele.” (Das Obras, 23). Para nós, cristãos, a justiça social, o pão que sacia a fome de todos, tem a ver com nossa fé. Tem a ver com nossa relação com Jesus Cristo. Não somos movidos por ideais humanitários ou ideologias. Vemos no faminto, que sintetiza em si as necessidades humanas básicas, o próprio Cristo. Isto nos escandalizaria se não ouvíssemos outra vez, em Jerusalém, na última ceia com os apóstolos, Jesus partir e o pão, prometer estar sempre presente no pão eucarístico e fazer-se pão partido, entregue, para a humanidade: “Tomai todos e comei. Isto é o meu corpo, que será entregue por vós! Façam isto em memória de mim.” (Lc 22, 19). Claro, é a memória que realizamos na celebração eucarística, mas também, a continuidade do Cristo que se faz pão e se parte para saciar a fome. Jesus ensina, também, que a saciedade da fome biológica não é suficiente, pois a fome é o símbolo da verdadeira comida, que só Ele pode saciá-la, por ser Ele mesmo “o Pão da Vida” (Jo 6, 35).

Esta mística, que brota do contínuo e sempre renovado encontro com Cristo, na sua Palavra, na Eucaristia, no grupo e na comunidade, não pode nos deixar encastelados na indiferença! O Papa nos exorta: “Encontramo-nos diante do escândalo mundial de cerca de um bilhão de pessoas que ainda hoje sofrem por conta da fome. Não podemos nos voltar para o outro lado e fingir que ele não existe. Os alimentos à disposição no mundo seriam suficientes para saciar a fome de todos.” (Pronunciamento de 10/12/2013). Também o Papa Bento XVI já dizia: “Dar de comer aos famintos é um imperativo ético para toda a Igreja, que é resposta aos ensinamentos de solidariedade e partilha do seu fundador, o Senhor Jesus.” (Caritas in Veritate, 27).

Estimado jovem! O que eu posso fazer para viver esta obra de misericórdia que me convida a “dar de comer a quem tem fome”?

Dom Adelar Baruffi

Bispo de Cruz Alta e Referencial para a Juventude CNBB Sul3

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