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NATAL: NASCIMENTO DO MENINO DE BELÉM, E A ACOLHIDA AOS IMIGRANTES

Publicada em 16/12/2015

Para a grande maioria da sociedade contemporânea, celebrar o Natal é estar restrito a belas e fartas ceias e presentes, que alegram o comércio e fazem dessa data a mais vendível durante o ano. Para uns, o Natal é sinônimo de viagens de férias, praias lotadas e grandes festividades. Por outro lado, para outros, é uma festa de saudades e recordações. Para quem passará as festas de fim de ano em outro continente, em meio a outras culturas, o Natal se reveste de esperança de um futuro melhor.

Mais de 13 mil pessoas formam a comunidade dos imigrantes no Estado do Rio Grande do Sul. Vindos de países subdesenvolvidos ou com condições subumanas, como Haiti, Senegal, Guiana Francesa e Gana. Com a esperança de encontrar um mercado de trabalho que lhes garanta a sobrevivência e o sustento dos familiares, jovens, homens e mulheres, por vezes se deparam com uma realidade cruel: falta de emprego, de respeito humano e discriminação.

Caxias do Sul foi uma das primeiras cidades do Brasil a acolher os imigrantes. O Poder Público, na medida de suas possibilidades, lhes deu assistência e a Igreja busca ajudar constantemente a garantir os direitos básicos para que possam viver dignamente. O Centro de Atendimento ao Migrante, que é dirigido pela religiosa Maria do Carmo, da Congregação das Irmãs Carlistas Scalabrinianas, atende, diariamente, dezenas de jovens, homens e mulheres que buscam abrigo, alimentos, roupas e orientações para habitar, de forma legal, o país.

Voltando ao tema das festividades natalinas, cruzando pela Praça Dante Alighieri, no centro de Caxias do Sul, numa tarde chuvosa de domingo, eis que encontro um jovem, de 27 anos, católico, tentando vender guarda-chuvas próximo do presépio da praça, montado junto do belo e conhecido chafariz, onde ninguém passava. Ao perguntar qual era o seu nome, numa mistura de espanhol, francês, português e inglês, respondeu-me “Antoni Couz”. Ele parecia decepcionado.

Logo, puxei assunto. “Tu és católico?”, perguntei . Respondeu-me de imediato que era católico de nacionalidade ganesa. Desembarcou no Brasil em 2013 e seu primeiro paradeiro foi Caxias do Sul. Aqui, segundo ele, aprendeu a conviver com o frio, com a cultura, com a saudade de casa e com algo que me deixou inquieto: a discriminação.

Sim, Antoni disse que teve de aprender a conviver com o racismo. Resumiu tudo num “é normal” e logo olhou para o chão. O racismo, a discriminação foram e são banalizados pela sociedade, ferindo o outro ser humano, que emigrou em busca de uma vida mais digna.

Antoni, que deixou amigos, irmãos e familiares em Gana vai passar o Natal na Argentina, numa outra comunidade de imigrantes, visto que não consegue mais manter-se financeiramente em Caxias do Sul. Ele me descreveu o maior sentimento nesta época do ano como saudade. Seus pais faleceram e ele veio ao Brasil para trabalhar, enviar dinheiro aos familiares e voltar para construir seu futuro lá.

Pouco falou sobre o Natal, falou mais sobre o momento difícil, que não lhe propicia viver mais em terras gaúchas. Segundo ele, a exploração é enorme e, das mercadorias que comercializam, a margem que sobra é a suficiente para comer. Resolvi perguntar, então, sobre suas esperanças para as festas de fim de ano e para 2016. Foi então, que, olhando o presépio da Praça que ele concluiu: "O nascimento de Jesus deve nos ensinar a respeitar todo mundo. Deus é bom, Ele não quer o mal de ninguém, Deus é o bem." Foi então que olhou para o céu e disse ter esperanças de que 2016 seja um ano em que ele consiga realizar os seus sonhos. 

Antoni Couz, sem querer, deixa um compromisso para os cristãos: que saibamos respeitar todo mundo, sem discriminações, sem humilhações, pois Deus é bom. Quanto à saudade de casa, ele não vai fazer nada além de ligar para a família, mas quanto à questão da discriminação, é importante que saibamos nos dar conta que o mundo acolheu o Menino Jesus lá em Belém e, por que, nós, sociedade contemporânea, tão racional, não acolhemos aquele que não quer roubar vagas de emprego ou oportunidades de crescimento, mas quer o mínimo para poder viver e dar o melhor para os que lhe são caros?

As grandes festas de fim de ano, que para muitos se resumem em espumantes, carnes, e cores, para outros se revestem de esperança, num mundo melhor, permita a todos a simples virtude do respeito a todos.

 

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