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ADVENTO E A JUVENTUDE MIGRANTE

Publicada em 06/12/2015

Escrever sobre o Advento e a Juventude Migrante têm a ver com a realidade humana concreta no mundo em que vivemos hoje.

No calendário civil, nos encontramos no fim do ano que, possivelmente, a juventude migrante traga consigo um pouco de cansaço, desânimo, decepção ou até frustrações. Algo que esperava realizar ou conseguir ainda não realizou; algo que esperava que chegasse e ainda não chegou. Já no calendário religioso, nós nos encontramos no início de um novo ano litúrgico, que marca a caminhada da nossa fé. Justamente porque iniciamos com o Advento, palavra que significa VINDA, CHEGADA, novo sentido de espera por algo que deve vir, mais do que isso, espera por Alguém que deve chegar. Desse modo mais que olhar para trás, para um passado, é recordar Alguém que veio. O Advento nos convida a olhar para frente, para o futuro que o jovem migrante sempre deseja na espera por Aquele que está vindo.

A realidade que nos cerca tem os sofrimentos da humanidade, especialmente dos jovens migrantes; tem a violência, a xenofobia, a fome, as injustiças, a vida ameaçada e espezinhada em todos os cantos da terra. E diante de tanta dor, surge a pergunta: Senhor, nada tens a ver com isso? Quando tudo isso acabará? Quando virás para nos libertar? Perguntas que atravessam séculos. E hoje fazem parte do cotidiano e do advento.

Tocado pelo sofrimento o povo se pergunta: Esse mundo ainda tem salvação? Será que um dia o Jovem Migrante terá voz? No advento as questões se tornam mais cruciais e remexem com os sentimentos humanos.

O Advento lembra as comunidades que fizeram essas perguntas há muito tempo e que procuraram uma luz para enfrentar os sofrimentos, os desafios de uma nova pátria, forças para fortalecer os sonhos de um futuro melhor, espaços para alimentar inspirações para sobreviver num mundo excludente e uma esperança capaz de unir os povos, privados do direito de viver e ser feliz.

O coração do Advento quer dar aos jovens migrantes que esperam um pedaço de pão, uma oportunidade de trabalho, de estudo e uma casa digna para morar. Sem esse sonho para os jovens não é possível entender o que seja o advento e muito menos o nascimento do Filho de Deus.

Jesus nasce em Belém, cidade do pão e da partilha. A conquista do pão de cada dia, do trabalho, estudo e da moradia digna é uma história de luta e resistência muito comovente na caminhada do jovem peregrino em busca da Pátria Celeste. Essa caminhada precisa ser marcada pela solidariedade, pela bravura, pela organização e pela morte ao egoísmo.

Histórias construídas com sangue e suor, desprendimento e união na conquista do sonho e da dignidade de vida para todos. O Advento remete para dias melhores, pois o nascimento do Messias realiza todos os sonhos e expectativas trazidos pelos jovens, pois a conquista da liberdade e vida digna é o projeto de Deus, Senhor da vida.

Ontem, hoje e amanhã a luta continua. A libertação está chegando aos poucos, mas o jovem é chamado a ser protagonista na Aliança que Deus fez conosco. Essa Aliança é renovada com o nascimento de Jesus que vem morar conosco, arma sua tenda em nosso acampamento, faz do nosso corpo sua morada para lutar pela vida.

Jesus nasceu no meio de um Império poderoso, conviveu com a miséria de uma multidão de excluídos e abandonados, “como ovelhas sem pastor” (Mc. 6,34).

Hoje também vivemos subordinados ao império do ter, da corrupção, da discórdia, da violência, do ódio, da discriminação, da xenofobia, da exclusão e da concentração de riqueza e renda. Neste contexto, muitos de nós cristãos corremos o risco de fazer da religião um mero supermercado religioso, acomodados e despreocupados com o clamor que vem da juventude sofredora.

Que o Espírito de Jesus, que clama por solidariedade e justiça, ressoe no coração dos jovens construindo sua vida pessoal e coletiva no reino da verdade, da santidade, da graça, do amor e da paz.    

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