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Descubra a beleza que se esconde por trás de todo coração

Publicada em 24/09/2015

Era 20 de julho deste ano quando três jovens saíram de Passo Fundo para a Semana Missionária. A iniciativa, promovida pelo Serviço de Evangelização da Juventude do Rio Grande do Sul, tinha como intenção proporcionar aos participantes a experiência de Pastoral de Conjunto, através das diferentes realidades vivenciadas na Igreja com pessoas em vulnerabilidade social. “A partir dessa experiência, os jovens poderão redescobrir, dentro dos diferentes ministérios existentes na Igreja, os lugares onde podem servir”, explicou na época a irmã Zenilde Fontes, coordenadora do Serviço.
A ideia deu certo e fez com que JordanaCaus do Amaral, voltasse dos seis dias de missão certa de que algo havia mudado. A jovem de 18 anos é natural de Passo Fundo e explica que desde muito pequena sempre foi levada àIgreja pelos pais. “Comecei a fazer as etapas da catequese e com 10 anos fui chamada a participar do Onda. Foi ali que aprendi o significado do amor e, principalmente,a valorizar a família”.
Para ela, a experiência da semana missionária foi a oportunidade de mudar a sua forma de ver a sociedade. “Eu queria conhecer mais as dificuldades do mundo antes de começar a construir meu futuro. Quando recebi o convite fiquei muito feliz, acreditava que iria ajudar as pessoas. No final das contas quem mais foi ajudada fui eu”, afirma. Durante a Semana, a dinâmica do encontro permitia que cada jovem visitasse três locais. Os de Jordana foram a Fonte Colombo, que acolhe pessoas com o vírus HIV, uma Vila de Papeleiros, onde trabalhou na separação de materiais e o Presídio Central. “Em todos os lugares que fui vi muita tristeza nos olhos, pessoas que muitas vezes esqueceram do amor, vivendo a vida apenas por viver. Por outro lado, vi também que no fundo dos olhos haviam esperanças de uma vida mais digna”, relata a jovem.
As experiências vividas na Semana Missionária marcaram não só aqueles dias da vida de Jordana, como deixaram claro que ela podia fazer mais. Na volta, a jovem procurou a Pastoral Carcerária da Arquidiocese de Passo Fundo e logo passou a integrar o grupo que visita e acompanha o Presídio e o Case na cidade. Segundo ela, o desejo já existia antes, mas depois de conhecer o Presídio Central teve a completa certeza que seu lugar era lá. “Vivi um mesclar de emoções tão fortes, desde o primeiro aperto de mão ao último abraço dado. É difícil explicar. Há tantos sonhos aprisionados por detrás de tudo que viveram e da realidade terrível do sistema prisional. Participar da pastoral foi o jeito que encontrei de tentar levar liberdade, a liberdade em Cristo, levar o amor de quem tanto os ama, levar a esperança de um recomeço”, garante a missionária que conclui: “Foi o jeito que encontrei de escutá-los e assim poder amá-los, para que o amor faça sua parte de devolver sua fé em viver”.
O testemunho de Jordana se torna exemplo não só para os jovens que participaram da Semana Missionária, mas também para aqueles que veem e vivem diariamente as situações de exclusões e injustiças na sua realidade. Para isso, a jovem aconselha: “Que Jesus seja a fonte de suas ações e não a mídia. Que antes de julgar qualquer pessoa, saiba de tudo que ela passou para estar onde está hoje e que todos são dignos de um sorriso.Descubra a beleza que se esconde por trás de todo coração. Que as palavras sejam um complemento na missão e não o fundamento. Dê valor a sua vida, ame sem medidas e seja o Cristo na vida das pessoas que não perderam a esperança no amor!”.
 
Uma boa notícia
A coordenadora da Pastoral Carcerária no Estado é também agente da Pastoral em Passo Fundo e ajudou na assessoria e acompanhamento da Semana Missionária em julho.  Irmã Imelda Jacoby explica: “Nos encontramos em Porto Alegre, onde os jovens realizaram uma experiência marcante: foram até as periferias físicas e existenciais ver, ouvir os clamores, conhecer a realidade, encontrar-se com o Cristo ainda crucificado, para tornarem-se missionários evangelizadores, levando a Palavra de Deus e lutando por um mundo sem prisões”.
A religiosa comenta que, enquanto realizava a preparação dos jovens através de oficinas e análises da realidade, percebeu a vontade que tinham de ver com os próprios olhos a vida dos encarcerados do Presídio Central. Lá se foram. Em cada um dos três dias, 10 a 14 jovens visitaram duas galerias do Presídio e experienciaram o contato com estes irmãos, acolhendo-os, dando-lhes a possibilidade de falar, expressar o que a Palavra proclamada lhes dizia e fazia dizer a Deus. “Foi imenso o enriquecimento mútuo. Muita surpresa, gratidão, alegria e a súplica dos presos: voltem, queremos a presença da Pastoral”, lembra.
Após esta vivência, Jordana integra a equipe da Pastoral Carcerária e continua em um processo de formação . “Ela contagia a todos com a sua dinamicidade e alegria, acompanha visitas ao Case e tem dado uma grande contribuição. Um jovem faz muita diferença”, destaca irmã Imelda. “Precisamos da vitalidade e espírito missionário da juventude na Pastoral Carcerária”, finaliza.

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