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Experiências das comunidades de jovens na Semana Missionária

Publicada em 24/07/2015

A semana missionária gaúcha possibilita aos jovens um momento de reparação e logo após, de experiência com diferentes realidades encontradas na cidade de Porto Alegre. Na quarta, 22 de julho, os missionários foram em missão. Divididos em comunidades de aproximadamente 10 jovens, cada grupo conheceu e teve contato com uma realidade no primeiro dia de missão.

A comunidade 1 visitou o Presídio Central e teve a oportunidade de acompanhar o trabalho da Pastoral Carcerária. Segundo relatos, o que se viu foi uma realidade em que os presos não tinham, inicialmente, coragem de olhar os jovens nos olhos, por não se acharem dignos daquele ato e de estarem juntos naquele ambiente. Logo após, ao se sentirem acostumados com aquela situação, os presidiários abriram o coração e contaram suas histórias únicas e de sofrimento. Por mais triste que fosse a realidade, o que se pode perceber é que eles tinham fé. Segundo Ana Luíza “No fundo de seus olhos vimos que ainda brilha a esperança de sair da prisão e recomeçar suas vidas com dignidade”. Além disso, os jovens relataram que notaram o quanto eles são sedentos de atenção e afeto.

Os missionários ainda, ouviram diferentes histórias, tanto tristes quanto engraçadas, em que foi possível perceber o quanto a fé os ajuda a passar o tempo, viver e melhorar as suas vidas. Além disso, ouviram muitos agradecimentos por levar uma simples palavra amiga e sincera e também, alguns pedidos de desculpa por estarem naquela situação junto com eles. “O que mais nos tocou foi quando um deles, que não recebe visita da família a muitos anos, nos agradeceu pela visita e disse que nós éramos a sua família naquele momento”, destaca Ana Luíza.

Os jovens da comunidade 1 contaram que sentiram uma imensa alegria em poder viver a experiência e podem sentir emoção em estar naquele ambiente com pessoas tão sedentas de afeto. Para além disso, enfatizam a emoção que foi ouvir a história de cada um, as diferentes realidades, a compaixão com o próximo, a vontade de viver e a união.

A comunidade 2 visitou a  Casa Fonte Colombo, que trabalha com pessoas que vivem com HIV. Num espaço de alteridades vividas e respeitadas, a Casa trabalha tanto o acolhimento quanto a promoção da vida, contribuindo no resgate da dignidade humana. De acordo com os missionários, ali puderam ver as mais diferentes realidades, como de pessoas que estavam indo pela primeira vez e estavam com uma autoestima muito baixa e ainda, de outras que entusiasmavam com a sua alegria e jeito de encarar as dificuldades.

Os jovens contaram que ouviram e sentiram um clamor das pessoas, que por vezes pareciam apenas buscar um abraço, um beijo no rosto, um aperto de mãos e principalmente, uma quebra de preconceitos. Rafael conta que gostou da experiência, “Nos sentimos muito bem no meio deles, pois elas tinham muitas histórias de vida para compartilhar conosco”, acrescenta.

A partir do momento de conversa com as pessoas que frequentam a Casa Fonte Colombo, os missionários viram e sentiram se estabelecer um vínculo de confiança que muito os fortaleceu nessa jornada. “Tudo fruto da graça e ação do Espírito Santo”, destaca Rafael.

A comunidade 3 visitou um dos bairros mais pobres e violentos de Porto Alegre, a Restinga. Afastado aproximadamente 25 km do centro, o bairro possui alto índice de violência. Segundo dados da Brigada Militar, apenas no último semestre foram em torno de 70 jovens mortos na Restinga. Em contraste a isso, os missionários foram conhecer o projeto Centro Social Pe. Pedro Lunardi, que tenta mudar essa realidade e trabalha com atendimentos a crianças e jovens socialmente vulneráveis e também com famílias e moradores de rua.

Segundo relatos dos jovens, o que se pode ver nessa experiência foi uma realidade de muita pobreza, com pessoas tendo péssimas condições de moradia, com esgoto a céu aberto e comercialização de drogas tratada e realizada com normalidade no bairro. Além disso, foram vistas muitas crianças inocentes em meio a toda aquela dura realidade, jovens crescem no meio da pobreza e adultos desiludidos com a vida. Em muitas pessoas, principalmente jovens, ainda se vê que resta uma esperança de mudar aquilo e mudar de vida. Ainda, foi visto e destacada a questão de organização social forte e presente no meio.

Os missionários ainda contam que ouviram muitos dados de violência, comum entre os moradores do bairro e principalmente, a falta de carinho e afeto por parte da família. Muitas crianças que são acompanhadas no Centro Social buscam ali uma forma de viverem a sua infância e de aproveitarem as oportunidades de mudança. Relataram também, que sentiram muita carência nas crianças e adultos que frequentam o espaço e que viram nos missionários um ombro amigo para poder conversar e em especial, abraçar. Foram por simples atividades como acompanhar oficinas de pintura, artesanato ou música, que os pequenos se sentiram acolhidos e gratos por estarem recebendo visita de alguém que esteve disposto a ouvi-los e dar um pouco de atenção. João Francisco conta que viu muita pobreza, mas “ouvi muito clamor de fé e senti que podemos mudar essa realidade”, acrescenta.

A comunidade 4 visitou na Vila dos Papeleiros e os jovens tiveram a  oportunidade de conhecer melhor a realidade dos catadores e recicladores de lixo, auxiliando na separação do mesmo.

A comunidade 5 visitou a CPCA, que se localiza na Lomba do Pinheiro e que tem um belo trabalho com crianças e adolescentes. Segundo os missionários, lá os pequenos encontram um verdadeiro lar e se encontram em um ambiente de amor, em que cada um é querido pelo seu jeito próprio de ser. Dessa forma, as crianças se sentem protegidas e acolhidas.

Os jovens tiveram uma grande percepção sobre o amor que as pessoas estão dispostas a dar sem exceção, um simples gesto de carinho seja abraço ou aperto de mão. Encontraram ali uma realidade de pessoas carentes de afeto, mas aconchegantes e sentimentos verdadeiros. Segundo as pessoas da Lomba, eles sentem-se completos e não tiveram palavras para agradecer e descrever a presença dos jovens lá. De acordo com Eduarda “Uma criança que nunca tinha me visto disse: Você pode ser minha mãe?”. Esse simples relato da jovem e o pedido da criança resumem toda a realidade de falta da presença da mãe, do pai e de uma família unida e acolhedora.

Na quinta, 23 de julho, as comunidades realizam visitas em outras realidades para também, terem experiências diversas. Ao final do dia acontecem no grupo, os relatos de cada comunidade. Mais informações podem ser acompanhadas pela página do Eai?Tchê https://www.facebook.com/eaitche?fref=ts .

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