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Que as tristezas de 2017 nos ensinem a ser mais de Deus: uma mirada cristã sobre jovens e tragédias

Publicada em 30/12/2016

Estamos no fim do ano e as retrospectivas sobre os fatos mais marcantes de 2016 já preenchem grandes espaços da TV, dos jornais, da internet. Dentre tantos acontecimentos que mexeram com a nossa vida e os nossos ânimos, a tragédia que vitimou 71 pessoas após a queda do avião que levava jornalistas, dirigentes e jogadores do time de futebol da Chapecoense foi, certamente, um dos mais tristes. Nesse clima de retrospectiva, temos duas opções: ou consumir novamente todo o conteúdo que for gerado sobre o tema, nos entristecer de novo, nos emocionar de novo por alguns minutos e depois esquecer. Ou podemos deixar esses acontecimentos nos ensinar a sermos mais de Deus.

A tragédia da Chapecoense, assim como a tragédia da boate Kiss (essa aconteceu bem mais perto de mim, pois moro em Santa Maria/RS há mais de 10 anos) chocaram o país, principalmente, por vitimarem um grande número de jovens cheios de vida, sonhos, talentos.  Vidas ceifadas no seu “auge” e de forma repentina geram quase que uma reação automática em nós: nos damos conta da condição finita dessa vida. A morte chega para todos. Não há planejamento, compromissos e sucesso que mudem isso.

Entretanto, para quem é cristão católico pensar na morte não deve ser uma novidade. A vivência da nossa fé nos coloca constantemente em reflexão sobre o propósito e a finitude da vida terrena, sobre as escolhas que fizemos, sobre a eternidade. Para além disso, penso que as tragédias também podem nos ajudar a pensar e a agir em relação a dois aspectos bem concretos: a evangelização e a nossa salvação.

Sobre o primeiro aspecto partilho com vocês alguns relatos pessoais. Na queda do avião da Chapecoense eu perdi um amigo. Fomos colegas de trabalho durante três anos. Ele era um ótimo jornalista e uma pessoa sempre alegre, brincalhona, solícita e atenciosa com todos. Quando fiquei sabendo que ele estava naquele avião a única coisa que me vinha a cabeça era: ele conheceu Jesus! Da mesma forma, lembro que quando soube da tragédia na boate Kiss uma das minhas maiores dores foi: chegamos tarde na vida de muitos daqueles jovens, quantos se foram sem nunca terem a oportunidade de conhecer Jesus mais de perto? Em 2013, a tragédia aconteceu justamente quando eu e milhares de pessoas estávamos participando do encerramento de um encontro nacional da Renovação Carismática Católica. Lembro como chorei naquela Missa final pensando que eu estava ali recebendo a vida pela Eucaristia, enquanto muitos tinham recebido a morte.

Pode até soar exagerado para alguns, mas não consigo entender a experiência da fé sem esse ardor missionário que me responsabiliza pela evangelização dos outros. Quantas vezes nos acomodamos dentro do conforto dos nossos grupos e paróquias? Quantas vezes perdemos a coragem de anunciar Jesus de fato, como Deus, Senhor e Salvador e vamos trocando o anúncio da Boa Nova por um monte de outras “belas mensagens”? E pior, quanto tempo perdemos com brigas internas, mágoas, fofocas e outras coisas que minam nossa ação evangelizadora? Não espere tragédias acontecerem perto de você, dentro do seu território de missão, para despertar para a urgência de anunciar aos outros que Deus existe, é real, é Amor, está perto de nós e que sempre é tempo de voltar para os amorosos braços do Pai.

O outro ponto sobre o qual quero refletir nesse texto é a nossa própria salvação.  Desde o começo da nossa caminhada de fé, somos ensinados a viver entre as coisas que passam, mas abraçar as que não passam (Col 3,2). Nossa meta é acumular tesouros no céu (Mt 6,20), pois somos cidadãos do céu (Fil 3,20). Muito mais que apenas um sentimento de pertença divina ou celestial, o que um coração enamorado por Jesus deseja é retornar para a presença de Deus, mesmo que isso signifique, necessariamente, a morte do corpo e de toda essa vida terrena que conhecemos. Nesse sentido, entendo que, mesmo sendo jovens, precisamos desde agora nos preparar para a nossa morte, aproveitando a vida para ser feliz e para fazer os outros felizes, mas principalmente, desejando o céu através da busca pela santidade. Obviamente que desejar o céu não tem nada a ver com pensamentos suicidas. Desejar o céu é contemplar a realidade que nos espera, o prêmio conquistado para nós por Jesus, é querer estar lá junto de Deus para ver face a face Aquele que agora só conhecemos parcialmente (I Cor 13). Confesso que meu coração já se enche de alegria e esperança só de tentar imaginar tudo o que nos espera lá... Normalmente, falamos pouco do céu, pensamos pouco nele e esquecemos que é essa a nossa maior meta de fé.  Que os fatos mais tristes da retrospectiva de 2016 tragam mais que emoções passageiras ao nosso coração, mas tragam novas atitudes para que em 2017 sejamos mais de Deus.

Antes de terminar, quero deixar aqui uma música que tem me ensinado a preferir o céu. “Prefirisco Il Paradiso” é uma obra do maestro Marco Frisina e é tema de um filme sobre a vida São Filipe Néri . Assim como esse santo, a canção fala com simplicidade, doçura e alegria sobre preferir o Paraíso. Aproveite!

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