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Em missão pela vida
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Pra quem plantamos as camélias?

Publicada em 16/05/2015

Tenho vivido dias muito felizes no acompanhamento ao Lar dos Velhinhos de Erechim. Uma experiência profunda com o divino do jeito que Ele se manifesta nesse lugar. Toda vez que passo alguns momentos lá tenho histórias pra contar. Hoje vou escrever. Dona Maria completa nesse dia 100 anos de vida. É uma linda. Com 100 anos mostra pra todos nós como Deus é: terno, carinhoso, cuidador, olhar bondoso, rosto sereno e sempre dizendo: muito obrigado! Já na cadeira de rodas, sem escutar direito, com problemas da idade avançada e com as marcas de uma vida difícil, dona Maria me contemplou durante toda a missa de uma forma que me deixou desconcertado: É Deus nessa explosão de ternura. É Deus nesse silêncio do olhar. É Deus andando de cadeira de rodas. É Deus com dificuldade de escutar. Só pode ser Deus...

Mas, ainda havia um gesto que me deixaria profundamente emocionado. No final da missa, depois de alegremente cantarmos parabéns, darmos todas as vivas possíveis, uma senhora, sobrinha da Dona Maria apareceu com um buquê de camélias. Camélias um pouco murchas com os cabinhos rodeados por um papel. Antes do beijo da sobrinha na tia, uma expressão: - Tia, essa camélia foi a tia que plantou. A senhora nunca a viu florescer. Trouxe algumas de presente.

Como dizem por aí: fiquei por terra! Tratei logo de encerrar a missa, dar todos os abraços e beijos naqueles seres lindos que todo final de celebração me enchem de afeto e procurar um lugar pra ficar sozinho. Rezar sozinho. Pensar sozinho.

Que maravilha saber que existem pessoas que plantam camélias. Não plantam camélias para si. Que triste e que linda vida, essa, que nos separa das camélias. Parece bobagem, mas não é. Nunca será bobagem plantar camélias. A maior alegria do mundo é saber que elas floresceram. Ainda tenho muito que pensar. Obrigado, Dona Maria!

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