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Ressignificar tudo à luz da fé

Publicada em 21/12/2016

Chega o final do ano e muitos aproveitam para fazer reformas nas casas, arrumações e limpezas. Também é tempo de rever tudo que passamos ao longo desses 12 meses e projetar os próximos. Durante essa revisão do que vivemos, nos deparamos com alegrias e tristezas, dificuldades e aprendizados, perdas e ganhos, seja no campo material ou nos relacionamentos. A balança de cada um terá pesos diferentes. Alguns poderão avaliar que o ano que passou foi bom, outros não. Há inclusive aqueles que quando avaliam que tiveram um ano ruim, dizem que “não têm motivos para comemorar o Natal”. Diante das adversidades temos duas atitudes a tomar e uma delas é assumir a posição de vítimas, mas para nós, cristãos, o Advento é um convite para ressignificarmos tudo isso à luz da fé.

É importante lembrarmos daquela máxima que diz que tudo é aprendizado. Vale lembrar também de Jesus quando, em dois momentos, nos diz: “Bem-aventurados os que choram e sofrem, porque serão consolados” (Mt 5, 4) e “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei” (Mt 11,28). Se nesse momento de revisão lembrarmos disso, tudo terá um novo sentido.

Naturalmente, lidamos melhor com as alegrias do que com as tristezas, mas é possível se alegrar com cada adversidade, quando percebemos que a alegria do reino também mora aí, porque são as adversidades que abrem espaço para essa alegria e para a paz que se manifestam no diálogo com Deus através da oração, no carinho de alguém por meio de um abraço, de uma escuta, de um colo.

Cada um de nós carrega suas cruzes, e com elas aprendemos a ser melhores, a vencer melhor os desafios que estão por vir, a reconhecer quem verdadeiramente nos “estende a mão” e ainda, é também por meio das nossas cruzes que nos tornamos capazes de ajudar o outro a carregar as suas, sem julgamentos.

É nos momentos de angústia que experimentamos, com mais intensidade, a necessidade do outro e a necessidade de Deus. É nesses momentos que somos levados a abrir mão de nossas vaidades e orgulhos para se entregar ao colo do outro. É aí que visitamos nossas fragilidades e nos mostramos tal como somos: carentes e necessitados de amor. E Deus é amor. Amor puro que se manifesta das mais diferentes formas.

Particularmente, posso dizer que minhas amizades mais verdadeiras nasceram de momentos de dor ou de “apagar das luzes”. Eu as reconheci em dois momentos que para mim foram marcantes: no colo que ganhei mesmo sem pedir e no abraço de acolhida e escuta que recebi quando contava sobre atitudes dignas de julgamento e preconceito. Reconheci nesses amigos o rosto de Deus. O Deus que me dá colo e encontro na oração e o Deus misericordioso que me redime na confissão é o mesmo que eu vi se manifestar na atitude dessas pessoas.

Além das questões individuais, ao longo do ano também experimentamos momentos de sofrimento coletivo. Para muitos desses fatos ficamos sem resposta quando nos perguntamos porque Deus permite que aconteçam, mas sobre uma coisa não há dúvidas: todos eles são oportunidades de aprendizado, de doação, de entrega e amor sem medida, e temos exemplo disso nas mobilizações de pessoas que unem esforços para providenciar abrigo, roupa e alimentação para quem perde tudo durante uma enchente, por exemplo, dentre outras tantas situações que nos ajudam a exercitar a solidariedade e o amor pelo outro.

Enfim, cada um de nós tem a oportunidade, a cada dia, de fazer o reino de Deus acontecer e de enxergar a alegria que brota de cada atitude. Basta darmos o nosso sim, inspirados em José e Maria que acolheram a maior de todas as missões apesar das incertezas e sofrimentos que isso poderia causar.

Se observarmos a saga pela qual a Família precisou passar para que Jesus pudesse nascer, crescer, evangelizar e se colocar no lugar de cada um de nós naquela cruz, veremos que, apesar de todas as dificuldades, cada uma das atitudes de José, Maria e Jesus desencadearam em grandes alegrias e em muito amor. Desde o longo trajeto percorrido por Maria para encontrar sua prima Isabel, e posteriormente o trajeto percorrido pelo casal até a alegria do nascimento, passando por cada milagre que trouxe alívio a quem sofria, pela humilhação e dor da morte até chegar à alegria da ressureição e da certeza de que Jesus caminha conosco como em Emaús.

Que possamos, ao longo do próximo ano, passar pelas adversidades observando tudo pela ótica da fé, tendo a certeza de que tudo o que vivemos são oportunidades para fazermos o reino de Deus acontecer e, principalmente, lembrando que temos um compromisso que é fazer acontecer aqui esse reino que é construído, acima de tudo, com alegria e amor.

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