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Deus demora a fazer justiça?

Publicada em 20/12/2016

Frequentemente os cristãos são alvos de perguntas embaraçosas. Um exemplo prático: se Deus existe, por que Ele permite o mal? Ao olhar a situação do mundo em nossa época, muitos ficam sem saber o que argumentar. Onde estaria Deus ao permitir a queda de um avião que vitimou 71 pessoas? Ou ainda, será que Ele dormia enquanto uma boate era incendiada e jovens morriam asfixiados?

Há que se fazer algumas considerações: o avião não teria caído e nem a danceteria incendiado se não existisse a ganância. Dois mil anos atrás, a situação era a mesma: Roma tomava conta de um vasto império, fariseus eram gananciosos e convencidos de que a salvação estava em suas mãos. Sem contar que Herodes tinha medo de perder sua majestade para o rei que fora anunciado pelos profetas… mas onde estava Deus naquela época?

Ao anunciar a Maria que ela seria a mãe do Salvador, o anjo Gabriel diz que ele será grande, o filho do Altíssimo. Não deveria Ele nascer num grande palacete do Império Romano, ostentando vestes esplendentes? Por que, então, nasceu em meio aos animais irracionais? Talvez essas perguntas possam ajudar a responder aquelas do início da reflexão. Deus é tão simples, que sua simplicidade assusta. E isso se torna tão asqueroso aos seres humanos que, muitas vezes, eles armam trincheiras para defender-se de si próprios.

A austeridade do nascimento é a mesma da cruz. A justiça de Deus é demorada? Aos olhos humanos, talvez sim. Aos olhos da mulher adúltera que estava à ponto de ser apedrejada, não. A justiça de Deus também é questão de ponto de vista. O mal se instalou na humanidade quando o ser humano quis enganar a si próprio. Seja no Gênesis, seja no século XXI, o mal existe porque é uma escolha do homem. Isso, no entanto, não quer dizer que a justiça de Deus está inerte.

“Eis que está chegando o teu salvador, com a recompensa já em suas mãos e o prêmio à sua disposição. O povo será chamado Povo Santo”, exprime o profeta (Is 62, 11-12). E o salvador chegou, em forma de criança pobre. De que adiantou o medo de Herodes se Jesus nem usou roupas finas e coroas de ouro?

O mesmo Jesus que está para chegar no Natal mostra que a justiça de Deus não é punitiva. É, antes de qualquer coisa, restaurativa. Ela restaura as forças do ser humano que se permite viver a humildade e não constrói trincheiras dentro de si próprio.

O que faria um magistrado dos nossos dias ao saber que milhares de brasileiros passam fome diariamente? Talvez fosse “protocolar” um documento que ficará na fila por mais ou menos 36 meses até ser julgado improcedente. O que fez Jesus: mandou que mais de cinco mil pessoas se sentassem, partilhou o alimento, todos comeram e ainda sobrou. Não houve “desvio de pão” ou “caixa-dois de peixe”, houve justiça.

O que fez o rico com o pobre Lázaro, que queria comer as migalhas de pão? Desprezou a dignidade humana e deu espaço ao mal da ganância. O que fazem os voluntários que visitam doentes e encarcerados diariamente? Se colocam ao lado dos sofredores, por piores crimes ou doenças que estejam acometidos, e praticam a humildade.

A justiça de Deus é tardia? A resposta é questão de ponto de vista: para quem “burocratiza” a vida e parcela a dignidade, pode ser eternamente demorada. No entanto, para aqueles que buscam ser pequenos com os pequenos, a justiça de Deus está em cada passo dado. Não se pode esquecer que o Ano Santo da Misericórdia ensinou que Deus nunca se cansa de perdoar… “Já estou chegando e batendo à porta. Quem ouvir minha voz e abrir a porta, eu entro em sua casa e janto com ele, e ele comigo.” (Ap 3, 20).

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