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Em missão pela vida
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"Não havia espaço para eles dentro de casa"

Publicada em 17/12/2016

Todos precisavam ir a sua cidade natal para alistar-se. Era um recenseamento de todo império romano numa época em que era impensável desobedecer qualquer regra da poderosa monarquia.  Tão pouco o final de uma gravidez era argumento. E lá foram eles. De Nazaré a Belém. O deslocamento não foi fácil. O caminho que o casal percorreu era de geografia montanhosa. Porém, a força do Espírito Santo tornou possível a chegada em Belém.

Eis que se completaram os dias para que o bebê nascesse. Cientes de que precisavam de um local para se hospedar, José e Maria bateram de porta em porta em busca de abrigo, mas todos disseram que não havia lugar disponível para eles. O jeito foi encontrar espaços entre os animais em uma estrebaria. Segundo o evangelista Lucas, “ela deu à luz o seu primogênito. Envolveu-o em panos e o colocou numa manjedoura.”

Para o biblista franciscano Frederico Mans, há três hipóteses que explicam por que Jesus nasceu em um local tão humilde: para demonstrar o tamanho de sua pobreza, para tornar-se acessível a todos e para identificar-se com o sofrimento e a miséria humana. A reflexão que proponho é que voltemos o olhar a essa última hipótese. Trazendo para nossa realidade atual, será que nos deixamos aproximar dos que sofrem e oferecemos auxílio aos miseráveis?

Moro em Porto Alegre há menos de um ano e uma das mazelas sociais que mais me choca por aqui é o grande numero de moradores na rua. Conforme levantamento feito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) neste ano, 2.175 pessoas habitam os logradouros da capital, número 75% maior se comparado à última pesquisa sobre o tema realizada em 2008.

Fico pensando no que teria os motivado a ter essa opção, se seria escolha pessoal ou imposição de um sistema econômico e social desigual e preconceituoso. Pois bem, nessa época de advento comparo a vida dos moradores de rua com o caminhar de José e Maria em busca de abrigo. Assim como eles, milhares de seres humanos se deparam com portas fechadas todos os dias.

E o que nós estamos fazendo diante disso? Também rejeitamos essas pessoas? Nem sempre o assistencialismo é solução para os problemas, mas como negar comida a quem na porta do supermercado te pede alimento? Podemos oferecer alento seja partilhando o “nosso pão de cada dia”, doado roupas e calçados ou atuando como voluntário nas diversas campanhas que existem em prol da população de rua.

Dia desses ao conversar com uma colega de trabalho sobre esse assunto, ela me disse o seguinte: “A gente precisa é ter coragem de olhar nos olhos, de sentir a dor do outro, de perceber que naquela vida quase sem dignidade existe um coração”. Que em 2017 possamos enxergar com os olhos do coração, ser uma Igreja em Saída - como nos pede o Papa Francisco, e fazer valer um apelo de Deus de mais de dois mil anos que foi simbolizado pelo nascimento humilde de seu filho Jesus Cristo.

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