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Testemunho de Participação na JAJ POA 2015

Publicada em 01/04/2015

  • Testemunho de Participação na JAJ POA 2015

A Igreja é velha, retrógrada. Só minha vó vai na missa. Será?

Se tu és jovem, já deves ter ouvido muito isso. Seja dos teus colegas pseudo-ateus, seja dos teus pais, seja do dizer do povo. Ontem, eu não vi isso não... Depois de ter tido uma reunião com os guris do CLJ na sexta de noite, se estendendo até a madrugada, acordamos todos às 7h para nos arrumarmos para ir aprender e ser testemunho de fé. Para quem não sabe, nesse sábado, dia 28/03, ocorreu a Jornada Arquidiocesana da Juventude (mais conhecida como JAJ). Não sei como explicar sucintamente o que é, mas vou tentar através desse texto.

Como ia dizendo, estávamos em 6 nessa reunião e acordamos cedo após termos ido dormir tarde (dormi às 5h...). A minha Jornada começou ali, em reunião com pessoas importantes na minha vida, cada um com uma vivência de fé diferente da minha. Escolhemos a catequese Afetividade e Sexualidade dentre as 5 catequeses possíveis. 8:20 e já estávamos na paróquia para a catequese que começava às 9h. Aos poucos, foram chegando mais pessoas e se juntando a nós. Muita gente desconhecida, mas todos devidamente vestidos com camisetas das suas paróquias. Grande parte era de CLJ, mas ontem pude ver que a juventude de Porto Alegre não se resume à CLJ. Grupos como MEJ, Canaã, jovens vocacionados, entre outros, se fizeram presentes e mostraram que são tão fortes quanto.

Enfim, 9h estava previsto para começar a acolhida dos jovens. Deu a hora e olhei para trás e vi o nosso querido arcebispo Dom Jaime entrando na sala. Então, uma cena muito engraçada aconteceu: Dom Jaime tirou o solidéu de sua cabeça e colocou na cabeça de dois jovens que não tinham visto ele entrar ainda. A cara que os jovens faziam ao se virar e ver que era o nosso arcebispo fazendo isso foi algo incrível! E, claro, Dom Jaime esperava o jovem virar com um grande sorriso no rosto antes de cumprimentá-lo. Posso dizer que vi ele poucas vezes desde que assumiu o cargo, mas nesse dia cresceu mais o meu respeito e carinho por ele! Não pude evitar de imaginar: "Dom Jaime deve estar pensando: 'Viu, tu podes ser o próximo!' para cada jovem que colocava o solidéu".

Bom, a catequese ocorreu com diversos momentos de perguntas, música e tom de debate. Ouvir os padres Lucas Mendes e Ignácio (espero estar escrevendo certo) nos enaltecendo com suas palavras tanto em relação a posição da Igreja, quanto em relação aos seus depoimentos pessoais foi muito bom! Claro que as outras participantes também tiveram grande importância, mas fiquei fascinado ao ouvir um padre de 29 anos e um pouco mais de um ano de sacerdócio falar sobre o assunto. A juventude também está presente no clero!

Depois disso, mais de 200 jovens comeram no mesmo salão que ocorreu a catequese. Sem problemas, sem caras feias, sem empurra-empurra. Todos com muito respeito, se ajeitando em cadeiras e com os pratos no colo, comeram muito bem e se respeitaram. Ninguém precisou coordenar e chamar eles para que tudo desse certo. Simplesmente deu certo por todos estarem ali por um mesmo objetivo e por ter esse ideal maior que os une.

Até então, eu que não curto muito multidões, já estava me sentindo um pouco sufocado com tanta gente ali. Tirei uns minutos para ficar sozinho e descansar e depois fomos para o centro, onde 200 jovens não seriam nada mais nada menos que uma pequena parcela do que vinha pela frente. Chegamos na prefeitura e pudemos ver diversas faces conhecidas. Faltava uma hora, quase, para o início das atividades e, ainda assim, já tinha bastante gente ali. Entre cumprimentos e apresentações, os jovens começaram a cantar as músicas que já estão acostumados a cantar nos seus grupos. Um grande folclore se mostrou e todos se empolgaram. A multidão não me foi problema nessa tarde.

Às 15h, os organizadores foram para cima do caminhão de som e começaram as propostas. Tenho que dizer que eu sou uma pessoa muito tímida e não gosto de me mostrar muito em público, mas quando o Matheus Ayres começou a puxar as músicas, pedir que o pessoal levantasse os braços, puxar as dezenas, eu não tive a menor vontade de manter a timidez. Fiz tudo com o maior sorriso no rosto só pensando: "Cara, Cristo é demais!". Teve momentos, sim, que eu acabei ficando um pouco pra baixo com alguns pensamentos, mas que logo sumiam ao me perguntar: "Por que eu estou aqui mesmo?" e logo vir a resposta: "Ah, sim, é por Cristo! Não quero pensar no que me faz mal!".

Durante esse tempo entre a procissão e a missa, pudemos rezar algumas dezenas do terço, cantar músicas que inspiram o coração e, ainda, fazer um "Vem! Vem! Vem!" para as pessoas nos prédios e na rua. Ver tantos jovens em harmonia, tantos abraços puros, tanta manifestação de Deus nos jovens foi algo incrível, indescritível! Mais de mil jovens gritando a todos pulmões que aquela é a juventude do Papa, a juventude do Arcebispo, a juventude de Cristo! E não eram só jovens nesse meio, tinham padres, de cabelo branco até! gritando com toda a sua força de vontade que aquela era a juventude do Papa e NÃO se excluindo disso! Porque sim, os nossos padres, independente de idade, também são responsáveis por essa juventude linda que não tem medo de caminhar nas ruas do centro rezando e professando a sua fé!

Bom, entre uma dezena e outra, o que mais me chamou a atenção foi um fato que aconteceu: surgiu a proposta que se abraçasse os irmãos e se desejasse a paz de Cristo (falasse Shalom). Enquanto desejava pro pessoal da minha paróquia, vi um padre conhecido e após desejar para eles, fui falar com ele, dar um abraço e desejar a paz. Conversei um pouco com ele e apareceu um morador de rua para falar conosco. Sem preconceitos, ocorreu o seguinte diálogo:

- "A paz de Cristo!" (começou ele)
- "A paz de Cristo, meu amigo!" (apertando as mãos)
- "Qual é teu nome?"
- "Pedro, e o do senhor?"
- "Antônio. Reza por mim, tá?"

Não lembro a minha resposta, mas disse que sim de algum jeito e depois ele seguiu o caminho dele. Ele estava mastigando enquanto falava comigo, com roupas bem degradadas e com uma sacola com as coisas que tinha. Mediante tanta juventude, ele poderia ter pedido tanta coisa. Podia ter pedido dinheiro, comida, bebida. Não, o que ele queria era que eu orasse por ele. Isso já bastava. Diante de tantos jovens, a pessoa que mais me deu o seu testemunho foi esse morador de rua e a sua humildade. O Antônio viu em mim e em outros jovens que abordou algo que o fez ter certa esperança e, mais que isso, nos passou esperança. Acredito que com a vida que ele possa ter tido, a vida que tem e entre tantas outras coisas, o que ele mais quis cuidar foi do espírito dele. A fome pode ser saciada por um tempo, assim como a sede. Mas a preocupação dele foi em alimentar o espírito. Com certeza ele alimentou o meu espírito.

A procissão terminou na praça da matriz e ficamos aguardando até o horário da missa. O entorno do monumento ficou pequeno para tantos jovens. Acabamos invadindo o espaço de pessoas que estavam por ali, mas não foi para jogar eles para fora de lá, mas, talvez, para chamar eles também para participarem disso. Começaram a testar o som enquanto o Dom Jaime falava no início da missa, mas tudo bem, estávamos em espaço público e houve conflite de horários. No resto da procissão, vi gente falando mal das Ave-Marias que rezávamos, jogando bafo de cigarro na cara de quem passava, enfim, desrespeitando o nosso momento. Mas, em nenhum momento, vi os jovens retrucando. Seguiram firme em seu ideal. Deram o seu testemunho! "Felizes vocês, se forem insultados e perseguidos, e se disserem todo tipo de calúnia contra vocês, por causa de mim" (Mt 5, 11).

Então, teve a missa. A Catedral nunca ficou tão pequena para tanta gente. Consegui sentar só porque o pessoal da minha paróquia guardou um lugar para mim, mas logo após a benção inicial, Dom Jaime convidou os jovens a se sentarem nas escadas do altar e junto aos padres caso faltasse lugar para todos. Ali se configurou a juventude! Sem desrespeito algum, sentaram-se nas escadas e se fizeram parte importante desse povo de Deus que celebrava em comunhão! A missa em si foi ótima! Tenho que ser honesto e dizer que dei umas piscadas devido ao cansaço que estava, afinal, depois de 10 horas em atividades, sentar e ficar calmo por um período de tempo já era o suficiente para cair. Mesmo assim, consegui prestar atenção na homília de outro querido servo de Deus que eu não conhecia, mas que nutri um carinho especial nesse dia: Dom Leomar, nosso arcebispo auxiliar recém nomeado! Como sempre, foi incrível ver tantos padres em comunhão com o arcebispo e rezando ao mesmo tempo durante a consagração. Pra terminar, Dom Jaime ainda fez uma piada com a altura do pároco da Catedral e ouvimos tanto dele, quanto do padre Eduardo umas palavras de agradecimento à juventude, ao arcebispo, à arquidiocese.

Não satisfeitos, alguns jovens do CLJ SP ainda quiseram confraternizar mais e vir aqui em casa para uma janta rápida. Pudemos agradecer perante o alimento e pelo ótimo dia que todos tivemos, pela juventude ter se mostrado forte! Foi um dia cheio, mas não somente de compromissos, nem de falação, mas cheio de Deus e do Espírito Santo, cheio de Cristo em cada face que eu via, cheio de amor, harmonia e união! Então, se me perguntarem o que é a JAJ, só posso responder com uma coisa: é Deus mostrando o seu amor através da juventude!

Shalom!

 

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Pedro Henrique Dewitte Meyer, é membro do CLJ da Paróquia São Pedro, em Porto Alegre, e autor do Blog Pensar, agir, amar!

 

Fonte:
http://pensar-agir-amar.blogspot.com.br/2015/03/a-igreja-e-velha-retrograda-so-minha-vo.html

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