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Em missão pela vida
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A evangelização regional e o mirante

Publicada em 11/08/2014

O livro do Êxodo narra o quanto, em certo momento da caminhada, passou a ser pesada para Moisés a tarefa de articular o povo de Deus sozinho. Não havia a possibilidade de cuidar de tudo e todos os assuntos ao mesmo tempo, assim como não se podia dar a devida atenção que o povo precisava. Seguindo um conselho de seu sogro, Moisés estabelece, a partir do povo, “chefes” de mil, de cem, de cinquenta e de dez, o que faz com os assuntos na comunidade dos israelitas seja descentralizada. Todos tem a visão de seus grupo, mas todos estão em colegialidade com Moisés. Penso que o espírito de nossa organização eclesial segue muito esta ideia.


O Código de Direito Canônico (coletânea de normas que regem a Igreja Católica) nos aponta que a vida da Igreja acontece na diocese, parcela do povo de Deus que ali está unida ao seu bispo e seus presbíteros. Mas é inegável o quanto se aprende quando se transcende isso e se pode passar a um âmbito regional, dentro de um mosaico de realidades que povoam uma região. Nosso estado tem feito a bela caminhada na busca pela possibilidade de articular  nossas 18 dioceses na busca por linhas comuns no trabalho de evangelização da juventude. Não é tarefa fácil! Quem se dispõe a viver este processo sabe quantas coisas há que se levar em conta: especificidades locais, pessoais, modelos de visão de Igreja. É necessário um movimento de despir-se de certos olhares para que se possa constituir um olhar global.  Como diria Dom Bosco, padroeiro da juventude, “Eu não disse que seria fácil, eu disse que valeria a  pena”, então não é porque não é fácil que não se pode fazer; onde não se pode, é aonde atua o Espírito Santo. Mas qual seria o papel do articulador em âmbito regional?


Está é uma pergunta que constantemente deve pulsar em nosso coração. Se na diocese pensamos a coletividade de carismas, pastorais, movimentos, congregações e organizamos da pastoral juvenil, em âmbito regional essa tarefa se torna mais complexa.  Se eu pudesse sugerir algumas pistas de reflexão para esta missão papel, eu perguntaria: como percebo a evangelização da juventude no estado? Temos de ter em mente que a resposta a esta questão não simples, já que faz muita diferença responder a isso estando na capital, no norte ou sul do estado.
Como articuladores ocupamos um bonito lugar, não um lugar nosso, mas um lugar de serviço e abertura, que já refletimos muitas vezes que tem uma dimensão de um sair-de-si-mesmo. Esse sair-de-si-mesmo é ponto crucial na missão (não apenas do articulador), pois nos diz São Paulo na carta aos Coríntios: “Se Cristo morreu por todos, todos portanto morreram, para que os que vivem, não vivam mais para si”.  Ao sairmos de nós mesmos podemos ocupar um lugar privilegiado que nos dá condições de ver as questões de forma ampla.

Agora imagine você estar em cima de um mirante (mirante são aqueles lugares localizados diante de lugares bonitos, montanhas, cascatas aonde as pessoas se colocam para olhar a paisagem); ali tu consegues enxergar ao mesmo tempo a totalidade do espaço e ver que aquilo não tem fim, tendo uma certeza: é tudo muito bonito! Assim é a missão de um articulador em âmbito regional: 18 articuladores olhando a evangelização de cima do mirante, olhando o todo e a infinidade, mas tendo a certeza de que ali está a ação de Deus; pensando junto as linhas mestras que nos conduzirão à discernir o que Deus nos está falando na dioceses, criando redes de partilha e caminhada conjunta, aprendendo com os que estão mais a frente  na caminhada, colaborando com os que podem ter ficado mais atrás. Nisso se depreende ação pastoral não uniforme, mas com unidade diante da diversidade. 

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