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A culpa é de quem?

Publicada em 10/07/2014

Pausa para uma reflexão sobre o assunto mais comentado do país neste instante: a derrota da Seleção Brasileira de Futebol na Copa do Mundo de 2014 para a Alemanha. Classifiquem com o adjetivo que quiserem – vergonha, humilhação, fiasco - o fato é que, nenhuma derrota vem de graça, assim como nenhuma vitória também. Estamos cansados de ouvir que a Alemanha era muito mais time do que o Brasil, até eu que não entendo nada de futebol tático pude perceber.

 

Mas isso vem de uma construção, de um tempo gasto em planejamento, estudo, treinamento e muito foco. Parece óbvio, mas é um critério de justiça, aqueles que mais se dedicam têm uma probabilidade muito maior de saírem vitoriosos. Foi o que aconteceu. Não seria justo o Brasil ter ganhado por qualquer placar o jogo, visto que, desde o início da Copa nossa seleção se mostrou imatura emocional e futebolisticamente – e não coloquem a culpa na psicóloga! Acredito num conjunto de fatores que há anos vem sendo desleixados pela nossa seleção de futebol – jogadores, técnicos, dirigentes – todos tem seu peso decisivo em todo tipo de resultado.

 

No jogo, assim como na vida, ninguém vence ou perde nada sozinho, já diria nosso amado papa Francisco. Ser humilde e reconhecer o seu lugar, reconhecer quem somos e que o momento pelo qual passamos não é definitivo. Não desistamos se alguns de nossos objetivos ainda não foram alcançados, é importante ter dedicação, empenho e fé, sim, pois se não acreditamos que nossos sonhos se entrelaçam com a vontade de Deus estamos perdendo nosso tempo e ainda mais, o verdadeiro sentido de todas as coisas que buscamos. Outro aspecto que me chama muito a atenção é ver alguns pais na tentativa de consolar seus filhos que choram a derrota. Ótima oportunidade de ensinar, com um exemplo bem claro, a noção de limites, que na vida podemos ganhar ou perder. As perdas fazem parte da nossa constituição humana.

 

É importante chorar, é importante fazer brincadeiras, usar do bom humor, tirar uma lição para nossa vida dessa situação. Vamos ser sinceros, a verdade é que o Brasil não merecia ganhar! Nem tudo que queremos pode acontecer sob qualquer circunstância, o velho “jeitinho brasileiro” não vai dar conta de todos os nossos desejos, tristezas e vazios. É importante ouvir um “não”, é importante passar por uma frustração. Se bem vivida e elaborada nos leva a uma maturidade frente ao real da vida cotidiana, nas decisões mais importantes e naquelas mais simples. “A dor precisa ser sentida”, é uma das frases do famoso livro “A culpa é das estrelas”, de John Green. Enquanto procuramos um culpado, alguém para dar um sentido, uma razão frente ao inusitado que vivemos, paremos para pensar no jogo e busquemos fazer uma metáfora para nossas vidas. O quanto temos nos dedicado aos nossos sonhos, projetos, discernimentos, trabalhos, famílias, amigos, grupos, missão? Olhemos para nosso próprio campinho de futebol, nosso coração, nosso interior e para o reflexo nas nossas atitudes: quanto me custa aquilo que muito me vale?

 

*** Marina Lunardelli é psicóloga

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