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Juventude e suas opções: um discernimento necessário

Publicada em 08/07/2014

Inicialmente, para falar sobre as opções de vida na juventude, me reporto à parte da Carta que o Papa João Paulo II escreveu no ano de 1885 mencionado o texto de Marcos 10, 17-22. Destaco, sobretudo, a pergunta que o jovem faz: "Que devo fazer para ganhar a vida eterna?" Esta pergunta do jovem rico precisa continuar sendo feita por cada jovem de hoje. Ou seja, é preciso ver aquilo que realmente orienta a vida. O que devo fazer? O que fazer para que a minha vida tenha sentido? Que opções me realizam e me trazem mais vida? O jovem o evangelho pede uma resposta definitiva e recorre ante as próprias dúvidas, anseio, esperança, àquele que tem a resposta, Jesus Cristo.

As opções de vida passam pela vocação de todo ser humano, a qual é um chamado à vida e ao amor. Daí se origina a opção que se toma para qualquer um dos estados de vida; matrimônio, consagração religiosa, sacerdócio, leiga. É uma decisão única e pessoal, livre e desinteressada, com o fim de gerar vida ao nosso redor, pois uma vocação que não esteja a serviço do amor é uma vocação estéril e frustrada.

Diante de tantas ameaças e sombras que rondam a vida das juventudes, falando mais especificamente no tocante aos seus sonhos, escolhas e opções de vida, o desafio é olhar para este cenário com os olhos da fé. Como afirma o Documento de Aparecida: Vivemos uma mudança de época cujo nível mais profundo é o cultural. Dissolve-se a concepção integral do ser humano, sua relação com o mundo e com Deus; aqui está precisamente o grande erro das tendências dominantes do último século. Quem exclui Deus de seu horizonte falsifica o conceito de realidade e em conseqüência, só pode terminar em caminhos equivocados (nº 44).

 

Tempo x desafios

Vivemos em um tempo com muitas possibilidades e oportunidades. Com a evolução tecnológica sobram opções para a juventude. Mesmo assim, muitos não conseguem se realizar, pois tem dificuldades de dar um passo, de lançar-se. Alguns ficam sob a tutela (segurança) dos pais, outros encaram a realidade e se aventuram pelo mundo a fora buscando algo que os realize, que os preencha.  Assumem um projeto de vida comprometendo-se consigo mesmo e com uma missão específica.

O sofrimento e a solidão é o principal problema para as pessoas. Os seres humanos estão sendo ensinados a não se apegarem a nada para não correrem o risco de se comprometer. A nossa sociedade moderna, não pensa mais na qualidade, mas sim na quantidade, quanto mais relacionamentos eu tiver, mais contatos no facebook, quanto mais dinheiro tiver, melhor. Esse tipo de relacionamento, porém, se dá em nível de distanciamento e não de uma proximidade afetiva e saudável. Outra coisa que se torna problemático para os jovens é o consumismo que é muito grande, e as pessoas compram não por desejo ou necessidade, mas por impulso e isso ocorre também nas relações humanas.

Decidir entre tantas opções não é tarefa fácil. Como buscar uma resposta definitiva se as relações são vulneráveis, se temos  medo de assumir o que é duradouro. Muitos são os caminhos, mas falta discernimento, falta silêncio, falta gastar tempo para estar com Jesus Cristo e deixar-se olhar e amar por Ele, tal como foi a experiência do jovem rico já mencionado na introdução do texto, que se sentiu mexido pelo olhar e o amor Dele, mas que infelizmente não teve a coragem necessária para segui-lo.

 

A decisão é individual

Uma conhecida e significativa história do “Sábio e o Passarinho” fala sobre dois meninos que vão até o sábio e tentam confundi-lo fazendo a seguinte pergunta para testar sua sabedoria: Com as mãos voltadas para as costas, um dos meninos perguntou: “ O que é que tenho entre as mãos?” Ele olhou, pensou, observou bastante e respondeu: “Um passarinho.” “Muito bem, acertou, disse o sábio. Agora, diga-me: Esse passarinho está vivo ou morto?” Olhando bem nos olhos de cada um dos garotos, com voz serena e cheia de autoridade, falou:  “Depende de você! A vida ou a morte desse passarinho está nas suas mãos.”

O sábio dá uma lição de vida aos dois meninos. A realidade em que nossa amada juventude está inserida nem sempre é humana e animadora, mas o que fazer com todas as oportunidade, aprendizados e experiências que temos, está em nossas mãos. O outro não pode determinar nossas opções, nosso jeito de ser ou agir. Frei Aldo Colombo já dizia em um de seus escritos: A vida pode ser definida como a ‘arte de escolher’. A cada instante somos convidados a optar entre duas ou mais alternativas. A pior delas é nada escolher.

 

***Silvana Arboit é irmã da Congregação Franciscana Missionária de Maria Auxiliadora

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