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Em missão pela vida
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Semeamos esperança aos jovens encarcerados

Publicada em 07/12/2016

A história do povo israelita é, por excelência, uma história de busca e esperança. Desde a revelação de Deus como o único e verdadeiro, cf. João 17,3, os hebreus viveram diversas experiências, dentre elas o sofrimento foi a que marcou mais profundamente. Primeiro, a experiência de ser ferido pela morte com Caim e Abel; a escravidão no Egito, pelas mãos do Faraó, depois a vivência da monarquia, onde descobriram que desejar um rei para sua nação seria igualar-se a outros povos e, novamente esquecer de seu Deus. Então vieram as dominações: Assírios, Selêucidas e a mais cruel, da Babilônia, neste momento eles perderam tudo. Sua terra, família, costumes e seu Deus. Sua identidade foi desfeita em meio à dor. Mas ainda restava uma esperança: a promessa que o Messias, o Filho do Deus Vivo, viria ao mundo! Ele seria o conselheiro maravilhoso, para quem caminhava errante; o Deus-Forte ao lado dos mais fracos, para lhes fortalecer na caminhada; o Pai-Eterno, para quem via, cotidianamente, a face do abandono e da morte; o príncipe da Paz, cf. Is. 9,6, em meio a reinados que oprimiam, Ele ensinaria o Reino do amor.

Na plenitude dos tempos, através de uma jovem pobre de Nazaré chamada Maria, Ele veio ao mundo. E novamente em meio ao domínio, desta vez do Império Romano, o povo encontrou a esperança, pois Deus se encarnou, tornou-se um de nós para compartilhar dos nossos sentimentos e relevar sua proximidade. Esse momento foi singular na história. Nasceu a Esperança em meio a dor, mas o Cristo, diferente dos outros, nos deixou livres, para acolher a Boa-Nova trazida por Ele, como uma possibilidade, ou seja, viver essa novidade, depende de nós. Uns aceitaram e encontraram a Luz que ilumina todos os povos. Outros pensaram que Ele era apenas um impostor, não valorizaram sua mensagem de verdade, paz e justiça.

Dois mil anos depois, pela fé e testemunho de quem acreditou, ainda celebramos seu nascimento. E como o povo de Israel podemos sentir um pouco, durante o período do Advento, o que significa a espera messiânica, pois também nós nos preparamos para acolher o menino-Deus. Porém, este ano, não pude deixar de comparar: a vida de adolescentes e jovens da Fundação de Atendimento Sócio-Educativo (FASE) com a do povo Israelita: o sofrimento; o tempo decisivo de opção de vida, quando encarcerados, é igual a quando Jesus veio ao mundo: as pessoas precisavam ter uma opção.

Ao ouvir os relatos dos adolescentes, de 12 a 21 anos, é muito comum identificarmos algumas dores que trazem em si: ser ferido pela morte de alguém próximo, viver o exílio social pela falta de recursos básicos de saúde, educação e segurança. O domínio familiar violento, e o contexto social que lhes aponta apenas uma saída: se você quer sobreviver alie-se ao crime. Porém, quando encarcerados a reflexão sobre essas escolhas da vida começam a nascer. Penso que a FASE é um período de olhar para trás e perceber os erros, olhar para o agora e refletir sobre o que quero. É como quando Jesus nasceu, diante Dele as pessoas tomavam uma decisão: vida ou morte. A FASE. Isso não é romântico, não é fácil, nem mágico. É sim exigente, exige ruptura e decisões que comprometem toda a vida, mas é necessário, para adolescentes que buscam dar respostar ao seu próprio existir.

O trabalho do PEJE – Projeto de Evangelização da Juventude Encarcerada – que desenvolve na fundação a partir da Leitura Orante da Palavra de Deus, deseja oportunizar aos meninos e meninas essa possiblidade de alargar o horizonte e mudar de perspectivas. Eles também vivem à espera pelo novo que virá quando saírem das celas. Não mudaremos o contexto e a realidade social dos meninos e meninas, mas queremos ajudar, pela partilha na fé, a mudar seu modo de ver as situações. Então sim será Natal, em mim, em ti e nos adolescentes, pois a Esperança que nasceu, mudou a vida de meninos que viviam em meio à dor. 

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