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#REFLEXÃO – Jesus cura um cego de nascença: o que nós percebemos?

Publicada em 02/04/2014

Já disse um filosofo francês chamado Jean-Paul Sartre, que a liberdade é a plena expressão da existência humana. Expressão suma de consciência, o homem, dotado de razão exerce seu “poder” de escolha, tendo ciência ou não das consequências de seus atos. Segundo ele, o homem está condenado a liberdade, pois ela, inata e fruto da condição social, o conduz rumo ao futuro, pois só existe o homem quando tem opção de escolher o que quer. Ora, a liberdade sartriana precisa de uma leitura social, pois olhando para a nossa realidade, e com os óculos do divino, que enxergam muito mais longe, perceber-se-á um duro e frio contexto, e assim fica mais fácil olhar para a CF deste ano.

Antes, gostaria de refletir o texto da liturgia do 4° domingo da quaresma. Jesus encontra o cego de nascença (Jo 9, 1-41). É fato que as homilias deste fim de semana olharam todas para uma questão de fé. Jesus e seus discípulos encontram o cego, e no primeiro momento os discípulos fazem uma pergunta a Jesus: “Rabi, quem pecou para que ele nascesse cego, ele ou seus pais?”. Olhando pra nós, o que poderíamos perceber? Muitos irmãos nossos sofrem hoje, vítimas das mais diversas situações. Fome, violência, escravidão sexual ou laboral, sem-terra, sem teto, dependência química e alcoólica, abandono, depressão, migração forçada, doença, etc. Há de se pensar que tudo isto fere o mais profundo do ser humano, que é a DIGNIDADE. Fere a própria liberdade, pois não há oportunidade de escolher, não há escolha para este ser humano, não há vida. Muitas vezes nossa atitude frente a vida indigna de nossos irmãos é a mesma postura farisaica da pergunta dos discípulos: “Olha lá aquele cara, aquela moça…que vida hein! Deve ser um bêbado, um vagabundo, um ladrão, deve ser um sem vergonha!” Olhamos a vida do irmão, julgando seu passado. Muitas vezes, e quase sempre, nem nos perguntamos por qual injustiça nosso irmão passou nesta vida, que o fez chegar até ali. Muita gente está onde está, fruto da sua condição social. Pois nasceu assim (Jo 9, 2). Deus é diferente. Ele olha o presente.

Deus olha para nós, enxerga nosso coração, e conhece nossa profunda vontade de mudar. O sonho de Deus é que sejamos felizes, mas, a felicidade só pode ser alcançada quando a dignidade em nós está (re)estabelecida! Deus vem, Ele mesmo, ou através de nós nos irmãos, retirar aquela pessoa HUMANA do fundo do poço. Dando de comer, denunciando a violência e defendendo o fraco, libertando os escravos, ajudando a quem não tem nada a ter um pouquinho de terra ou um teto pra morar, libertando o irmão da dependência, acolhendo e visitando quem está só e isolado, motivando e acompanhando o irmão que caiu na depressão, acolhendo quem precisou migrar por seus motivos, cuidando do doente, etc. Ali, aquela pessoa olha e vê a Deus! Só assim ela pode diante do mundo dar um testemunho de fé. Libertada da condição de oprimida, ela reconhece a ação misericordiosa do Pai. Pois de fato viu a Deus (Jo 9, 38). Logo, eu, no meu mais íntimo concluo, que não é possível haver fé sem a dignidade. Não há plena liberdade para isto ou aquilo quando estou amarrado a uma situação social que me impede até mesmo de professar minha fé, quanto mais ter uma vida.

É necessário que tenhamos misericórdia e compaixão diante dos nossos irmão neste mundo. Vamos ao encontro de quem sofre, olhar para ele e liberta-lo da sua condição de excluído ou abandonado, nesta reflexão, sobretudo quem hoje é escravizado sexualmente ou por trabalho, ou quem foi engando e perdeu a vida por causa de seus órgãos. Não podemos nos calar diante disto.

Só assim quem sabe essa liberdade que o filosofo Sartre fala possa acontecer, a ainda mais, a verdadeira liberdade sonhada pelo próprio Deus, Senhor de todas as coisas, que nos leva a felicidade, seja então realidade, reino de Deus aqui e agora e na eternidade.

João Guilherme de Mello Simão
Secretário Regional da Pastoral Juvenil – CNBB Regional Sul 2
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