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Advento: Ainda dá tempo?

Publicada em 02/12/2016

Veio um frio na barriga. Já não consegui escutar a voz de mais ninguém naquela reunião. Fiquei olhando para a agenda do celular. O ano está acabando. O que fiz com minha vida? O que fiz no ano de 2016? Qual foi o sentido de tudo isso?

Durante o curso de filosofia, no início de março, um professor, no término de sua aula, se despediu de nós dizendo: “Feliz Natal jovens!”. Todos demos risadas, mas seguimos o baile. No entanto, todas as sextas-feiras daquele semestre ele sempre terminava a aula com o “Feliz Natal jovens”. Qual o problema dele? Tempos depois descobri que era uma metáfora. Quando chegou dezembro, ele postou em seu facebook: “E aí juventude? Desde o início do ano estou avisando - Feliz Natal, e o ano termina. Não me venha dizer que passou rápido”.

Quando olhei minha agenda e vi que estava encaminhando as últimas atividades para o ano de 2016, me lembrei do “Feliz Natal”. Enquanto voltava para casa, pensava em tudo que havia feito e a maneira que havia feito. Nenhum dia pode ser igual ao outro. Precisamos compreender que todo dia é sagrado, que nossa vida é única. No entanto, quando olho para muitos jovens, vejo a “crise do piloto automático”. De segunda até o final da tarde de sexta-feira vivem na correria do dia-a-dia, visando apenas os bens materiais. O final da tarde de sexta e no sábado buscam o prazer. No domingo mergulham na anestesia do cansaço. Mas no final da tarde de domingo, quando a noite se aproxima, sentem a crise do vazio. Segunda-feira amanhece, com toda sua força religam o piloto automático.

Quando digo que de segunda a sexta buscamos o poder me refiro quando trabalhamos e estudamos com o único propósito do “ter”. Um dia me disse uma jovem: “Frei preciso trabalhar para pagar o meu curso, para conseguir um bom emprego que me vai dar um bom salário, assim serei feliz”. Muitos se matam de trabalhar para ter dinheiro para gastar com coisas que não precisam para mostrar para as pessoas aquilo que não são. Angustiados precisam relaxar – muitos mergulham na busca do que chamo “overdose do prazer”, para conseguir, buscam nas baladas, maratonas de séries, sexo, drogas e tantas outras coisas... Estes dias escutei no rádio, que sexta era o dia da maldade. Por quê? Sexta a juventude sai, e tenta viver tudo que pode, buscando o máximo de prazer. No domingo estão tão cansados que é normal dormir até tarde. Quando despertam, são tomados por um sentimento de vazio, de angústia que o consome.  

No Natal festejamos a vinda de Jesus, Ele se faz humano, se revela por amor. A nossa esperança é renovada. No entanto, anestesiados perdemos o sentido do sagrado, fomos educados a ver o Natal como dia de receber presentes e comer até a meia noite. Isso é apenas uma consequência natural de uma vida vivida no piloto automático. Sem sentido vivemos como errantes. Sem rumo, seguimos no piloto automático.

Compreendi que aquele “Feliz Natal” do professor era um alerta. Um convite, para pensar que o ano, os dias, as horas passam rápido demais. A vida é um dom preciso, um presente “emprestado” por Deus. São Francisco chama a morte de irmã. “Louvado seja meu senhor pela irmã morte”. Ele soube dar um sentido para sua vida, por isso a morte não lhe mete medo. Um dia a irmã morte chegará para todos nós. O que teremos feito? Teremos amado? Vamos deixar amizades verdadeiras? Teremos conseguido ajudar ou ter tido um propósito? Teremos deixado uma marca neste mundo, ou simplesmente vamos passar.

Um famoso filósofo, chamado Viktor Frankl, criou uma máxima que pode nos ajudar a repensar o propósito de nossas vidas. Ele dizia; “Viva como se já estivesse vivendo pela segunda vez e como se na primeira vez você tivesse agido tão errado como está prestes a agir agora.” Se nos questionámos sobre o sentido de nossa vida é sinal que acordamos. Isso é bom. Saímos do piloto automático. Basta agora lutar, buscar, ter coragem de ir ao encontro de nosso sentido. O sentido da nossa vida é único. Devemos encontrá-lo, não nos será dado. Precisamos buscá-lo com toda nossa coragem e paciência. O que sei, é que quanto mais nos entregamos para o nosso próximo, mais nossa vida se enche de sentido.  Quanto mais olhamos para fora de nós, mais a vida se tona cheia de vida, de amor, de esperança. O Natal nos ensina que quando nos doamos é que encontramos o sentido de nossas vidas, assim como Deus, encarnando-se assume a humanidade na fragilidade humana de um bebê.

 

 

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