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Advento: consumismo ou reflexão?

Publicada em 01/12/2016

O tempo do advento remete a diversas lembranças da infância. Por muitos anos, o pinheiro lá de casa era natural. Íamos à propriedade rural onde meus avós maternos moravam, no interior de Restinga Sêca, para buscar a árvore. Após a venda do local em decorrência do falecimento dos dois, quem fornecia o pinheirinho era minha Tia Lore que possuía, no quintal de casa em Cachoeira do Sul, alguns exemplares da planta.

Pela tradição católica de minha família, esse tempo de preparação para o Natal de Jesus sempre foi vivenciado com muita intensidade. Recordo de participar de sequências de reuniões de grupos de família na vizinhança. Meus pais faziam questão de enviar cartões natalinos por meio do correio aos familiares e amigos. Recebíamos felicitações e colocávamos cada carta no pinheirinho.

O advento também era tempo de reformas, pinturas e limpeza geral nas casas que compunham o nosso mini cortiço em Cachoeira do Sul. Era como se todas as residências do pátio passassem por uma revitalização conjunta. Tanto na minha, como na casa dos meus avós paternos e da minha dinda Ana o período era de pintura, reformas e limpeza geral.

Atônita e sem entender todo esse rebuliço a cada fim de ano, questionava a mim mesma o porquê disso tudo. Eis que um belo dia perguntei a minha mãe e ela disse que todos aqueles preparativos eram para celebrar o nascimento do Deus menino, sinal de esperança e renovação para as famílias do mundo inteiro.

Pense no que uma fala dessas representa para os pensamentos criativos de uma criança em seus 7 e 8 anos de idade. Meus devaneios ganharam um toque de mágica e tudo passou a fazer muito sentido. Sim, de fato, precisávamos preparar, além do nosso coração e espírito, as estruturas físicas para que possam “ser feitas novas todas as coisas”.

Por experienciar o verdadeiro significado do Natal lá em casa, eu acreditava que em todos os lugares era assim. No entanto, na medida em que fui crescendo, outros “modelos” se apresentam e percebi que, para muitas pessoas, este é um período de muito stress, calendário abarrotado de atividades, compras e mais compras, planejamento de férias, entre tantas coisas que o capitalismo nos propõe.

Em nosso mundo secularizado, pouco se encontra tempo para oração, reflexão sobre a nossa realidade e o que podemos fazer para transformá-la. Santo Agostinho dizia uma frase muito interessante que pode ser relacionada a esse período: “A esperança tem dois filhos: a indignação e coragem”. Temos dois caminhos: a revolta por tantos males que nos acometem ou o compromisso firme de que as adversidades servirão de motivação para mudança. Qual será a nossa escolha? Que o Espírito Santo nos dê o dom da sabedoria diante dos desafios que se apresentam.

 

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