E aí tchê
Em missão pela vida
FacebookTwitterInstagramYouTube

Boate Kiss: O dia que insiste em não ter fim

Publicada em 27/01/2014

Chegou o Dia 27 de janeiro, e com ele a lembrança de um dia muito triste na minha iniciante carreira no jornalismo. Na memória de muitos, este dia não terminou e jamais terminará.

Hoje este dia completa 8.760 horas (um ano) que 242 jovens entraram em uma festa para se divertir e comemorar a vida, e no entanto acabaram fazendo parte da maior tragédia que o Rio Grande do Sul já viveu e que chocou o mundo.

Naquele 27 de janeiro de 2013, eu trabalhava em rádio e estava plantão na Rádio Band AM 640 e Rádio Band News 99,3 FM, o meu horário normal naquele plantão era 9 horas da manhã, mas fui surpreendido com uma ligação do meu chefe bem mais cedo, por volta das 5h30. No telefonema ele disse: “Mayer, aconteceu um incêndio grave em Santa Maria, tô mandando um motorista aí te buscar porque é grave”. Em 5 minutos eu estava cobrindo da redação este triste fato.

Eu só sabia que tinha acontecido um incêndio em uma casa noturna de Santa Maria e que era um incêndio de grandes proporções, mas não tinha noção do quão grande eram estas proporções. Nesse momento, lembrei de todos meus amigos que moram lá, pensei em seus familiares e amigos e senti uma dor imensa.

Na faculdade aprendemos que devemos lidar com a emoção, manter a calma, manter a imparcialidade e não fazer parte da história, mas, diante de uma tragédia como esta é impossível se manter indiferente, ser "forte".

Por diversos momentos me peguei chorando ao ouvir relatos de pais, familiares e amigos das vítimas da Boate Kiss. Eu me perguntava, como pode a cidade “coração do estado”, que havia celebrado com toda a juventude gaúcha o Bote Fé RS (festa que reuniu milhares de jovens católicos de todo o RS) estaria passando por uma tragédia tão grande. Essa pergunta não tem uma resposta.

Alguns dias depois da tragédia, quando eu fui para Santa Maria, vi no rosto de todos a dor, o vazio e a falta que aqueles jovens faziam. Caminhando pelas ruas, era uma tristeza que estava no ar.

Encontrei meus amigos, e poder dar um abraço neles, era o mesmo que dizer: “estou aqui, conta comigo”. A dor que os pais e familiares sentem é imensurável e nada apagará da memória dos mais de 600 sobreviventes o que eles sofreram. Mas o que nos resta agora é ajudar a confortar os corações de quem sobreviveu e dos pais, familiares e amigos das vítimas.

No evangelho deste final de semana, Jesus chama Simão (Pedro) e Tiago para que deixem de pescar os peixes e se tornem pescadores de homens. Jesus pede para que eles o sigam. Os dois então largam tudo, deixam seus sonhos para trás e passam a seguir Jesus. É isso que Jesus nos pede, o que é do pai já não nos pertence mais. Os apóstolos largaram não só as redes, mas largaram seus sonhos projetos pessoais e tudo que lhes pertencia. Deixar-se abandonar em Cristo é a esperança de que estes jovens cumpriram a missão a eles conferida e hoje já se encontram na vida eterna. Hoje, esperamos em Deus para que Ele na misericórdia infinita acalme e apazigue os corações que guardam as cenas deste filme de horror.

Neste dia, peço a Deus que olhe por cada jovem, por cada sonho que se desfez, por cada pai que não tem seu filho e conforte estes corações.

E aí tchê

Subsídios

© 2017 - E aí tchê Site produzido pela Netface